PCP acusa Governo de “criar negócio” para privados em vez de combater o desemprego

24.02.2012 - 15:19 Por Lusa
O Partido Comunista Português lamentou hoje que o Governo tenha optado pela “desresponsabilização” em relação ao desemprego, decidindo “criar uma oportunidade de negócio para as agências privadas” em vez de “combater efectivamente este flagelo”.
“O PCP considera inaceitável esta decisão do Governo, a confirmar-se, quando mais preocupado deveria estar a combater efectivamente o desemprego, a criar uma oportunidade em torno deste flagelo que é o desemprego, do que em criar uma área de negócio para as agências privadas”, afirmou a deputada comunistas Rita Rato, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
Rita Rato considerou que “o cumprimento da Constituição obriga a que o Governo dê uma resposta concreta aos números do desemprego.”
“Entendemos que a desresponsabilização para as agências privadas não só não é solução como hoje a situação concreta de muitos centros de emprego, onde isto já acontece, como plataformas de trabalho temporário, tem vindo a confirmar. Entendemos que é uma obrigação constitucional do Estado garantir uma resposta à situação de desemprego e não a sua desresponsabilização”, acrescentou.
O Governo admite financiar “serviços privados de emprego” que coloquem no mercado de trabalho desempregados que não recebem subsídio de desemprego e conta definir até ao final do ano o enquadramento necessário para tal.
“Se se verificar, nas experiências piloto, que os serviços privados de emprego têm sucesso na colocação de desempregados não subsidiados, o Estado admite pagar a essas agências por esse serviço”, disse aos jornalistas o secretário de Estado do Emprego Pedro Martins, na quinta-feira.
O Programa de Relançamento do Serviço Público de Emprego inclui oito eixos e um conjunto de medidas que visam fomentar a captação de ofertas de emprego, cooperar com parceiros para a colocação de desempregados, reestruturar a rede de Centros de Emprego e Centros de Formação Profissional, entre outras.
O Governo quer aumentar em 50 por cento o número de colocações de trabalhadores desempregados até 2013, ou seja dar trabalho a mais 3.000 pessoas por mês.

