Passos Coelho promete “sangue-frio” para não ceder a “pressões orçamentais”

14.10.2010 - 15:56 Por Tolentino de Nóbrega
O presidente do PSD, Pedro Passo Coelho, garantiu hoje no Funchal que não cederá a “pressões orçamentais”, reforçando a ideia de que chumbará a proposta de OE para 2011.
É essa a posição que defenderá terça-feira nas reuniões dos órgãos partidários para os quais remete a decisão definitiva quanto ao sentido de voto do PSD, a tomar depois de conhecer os termos do Orçamento que será apresentado amanhã. Trata-se de uma "situação muito delicada e imporá um sangue frio muito grande", reconheceu.
Numa intervenção feita nas Jornadas de Estudo do Partido Popular Europeu que encerram amanhã no Funchal, Passos Coelho lembrou que quando viabilizou o chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o PSD ficou numa situação "relativamente inédita" de "consentir com o seu voto favorável ao aumento de impostos por contrapartida de um aumento de compromisso do Governo com o corte de despesas para que, até o final deste ano, fosse atingido um défice menor". Como o executivo socialista falhou tais objectivos, acentua, o PSD "não pode estar sempre a dar as mesmas condições para que os resultados não sejam alcançados".
Chumbo dará má imagem do país
Passos Coelho reconheceu que "é muito difícil a circunstância que atravessamos na medida em que, se o Orçamento não for aprovado, o país não fica numa boa situação, não dá de si próprio uma boa imagem". Mas, adverte, “se não nos deixam utilizar o nosso remédio”, o país entrará numa situação que “tornará impossível cumprir os seus objectivos” e “ entraremos num abismo”.
Como a justificar o chumbo do Orçamento, o líder social-democrata assegura que "Portugal entrará numa situação de insustentabilidade se não arrepiar caminho". Garante ainda que tem "todas as condições para inverter esta situação".
Frisando que “as perspectivas que temos para o futuro são bem diferentes das que o Governo aprovou”, Passos Coelho diz que Portugal precisa de “gerar, nos próximos anos, excedentes orçamentais de modo a diminuir a dívida externa”. No entanto, defende, essa necessidade não deve ser assegurada pela via do aumento dos impostos: “Não é possível criar excedentes orçamentais para o futuro se nos permitirmos, com o aumento dos impostos, não manter pressão sobre a despesa pública”, conclui acrescentando que “quando os impostos aumentam, nunca mais voltam a descer” e que “a promessa do Estado, de que vai reduzir a sua despesa, é sempre uma falácia”.

