Passos Coelho espera que mais vozes se juntem no Governo pelo adiamento de obras públicas

30.04.2010 - 15:04 Por Lusa
O presidente do PSD disse hoje esperar que "mais vozes se possam juntar" à do ministro das Finanças para que prevaleça "o bom senso" e o Governo opte pelo adiamento das grandes obras públicas.
Em declarações aos jornalistas, no final de um encontro com economistas e gestores, num hotel de Lisboa, Pedro Passos Coelho considerou que "o Governo hesitou" quanto à construção das grandes obras públicas, "porque não falou a uma só voz".
"O ministro das Finanças pareceu dar a entender uma decisão diferente daquela que depois o ministro das Obras Públicas veio anunciar. E eu espero que mais vozes se possam juntar dentro do Governo para que o bom senso possa prevalecer", acrescentou.
O presidente do PSD argumentou que "agora não se trata de convicções sobre o mérito dos projectos, trata-se de ter o realismo suficiente para perceber que não há dinheiro na economia para os financiar".
Segundo Passos Coelho, Portugal corre o risco de "daqui a três anos ficar na mesma ou em piores circunstâncias do que aquela em que está hoje porque simplesmente o Governo decide gastar o dinheiro que não tem para fazer obras públicas que o realismo impõe que devem ser adiadas".
Quanto a alguns desses projectos, Passos Coelho disse estar convicto de "que nem sequer haverá financiamento suficiente no sistema bancário para os poder alimentar".
No entender do presidente do PSD "o país precisa de um esclarecimento cabal do Governo quanto àquilo que tenciona fazer com as grandes obras públicas e com as parcerias público-privadas".
"Eu espero que o Governo repense rapidamente estas decisões. Muitas vezes as pessoas pensam que perdem a face quando recuam naquilo que já tinham dito, mas eu acho que hoje era patriótico, e todo o país perceberia, que o Governo reanalisasse as suas opções", apelou.
Questionado se o PSD mantém a sua disponibilidade para cooperar com o Governo apesar da divergência quanto às grandes obras públicas, Pedro Passos Coelho respondeu: "Não está no nosso pacote de entendimento, se assim lhe posso chamar, não faz sentido que o PSD esteja nesta altura a dizer que subscreve a política do Governo em matéria de obras públicas, como em matéria de parcerias público-privadas".
"A nossa opção não é essa, como é sabido. Eu não posso forçar o Governo a ter mesma opção que tem o PSD. Mas espero que o Governo tenha o realismo de reanalisar as suas opções políticas numa altura em que o país não tem disponibilidade financeira para fazer estas obras", completou.

