O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, voltou hoje a afirmar que a construção do novo aeroporto na Ota resulta de uma decisão política, salientando que faltam estudos técnicos que a fundamentem.
O responsável, que numa entrevista ao PÚBLICO, em Fevereiro passado, defendeu o estudo de outras alternativas, reafirmou hoje não conhecer "nenhum relatório técnico que justifique" a decisão tomada pelo Governo.
"Há que dizer que esta é uma decisão política", sublinhou o responsável, durante uma sessão do ciclo de seminários "Os Engenheiros e a Competitividade", esta manhã, na sede da Ordem.
Fernando Santo admite que o Governo tem legitimidade para construir a estrutura onde entender — "se os estudos fundamentassem todas as obras, hoje não teríamos dez estádios de futebol" —, mas se assim for deve assumi-lo. Caso contrário, os "estudos técnicos têm que aparecer".
O Governo garante que a decisão já foi tomada, recusando repensar as hipótese Rio Frio (uma zona na margem sul do Tejo, excluída pelos estudos de impacte ambiental) e Poceirão (que alguns técnicos dizem ser uma solução técnica mais apropriada do que a Ota).
Contudo, Fernando Santo entende que a exclusão de Rio Frio foi "uma decisão conduzida pelo lobby ambiental", quando esta era a localização defendida pelos estudos técnicos. "É o ambiente que está a conduzir o aeroporto para a Ota", criticou.


