Olli Rehn espera que acordo sobre dívida grega fique fechado até Domingo

27.01.2012 - 10:45 Por Ana Rita Faria
O acordo entre o Governo grego e os credores privados para a reestruturação da dívida do país deverá ficar fechado este fim-de-semana, se não mesmo hoje, afirmou hoje em Davos o comissário europeu Olli Rehn.
“Estamos quase a concluir um acordo, se não for hoje, será sem dúvida durante este fim-de-semana”, afirmou hoje o comissário europeu dos assuntos económicos Olli Rehn, durante o Fórum Económico Mundial, que está a decorrer em Davos, na Suíça.
No entanto, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que participava hoje em Davos no mesmo debate que Olli Rehn, disse que o acordo seria ambicioso e que tem de assegurar que a dívida grega desça para os 120% do PIB em 2020, como exige o FMI.
Wolfgang Schäuble salientou que ninguém está a contar com um default da Grécia, mas não explicou como será atingido aquele objectivo de redução da dívida, numa altura em que se multiplicam as dúvidas sobre se é possível a Grécia voltar a um patamar sustentável apenas com uma redução da dívida detida por credores privados.
Hoje, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, sugeriu que os Estados credores da Grécia também deveriam renunciar a uma parte da dívida do país.
O Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa os credores privados na renegociação da dívida helénica, também já deixou claro que não deveriam ser só os bancos e as instituições financeiras particulares a suportar os custos da reestruturação.
Na quarta-feira, foi a vez da própria directora-geral do FMI, Christine Lagarde, ter apelado a que os credores públicos ajudem a Grécia, caso as negociações entre Atenas e os privados não produzam resultados suficientes.
Esta semana, o Financial Times escrevia mesmo que o FMI estaria a pressionar o BCE a aceitar perdas com os 40 mil milhões de euros de dívida grega que detém.
A Grécia está, neste momento, a negociar um perdão voluntário de 100 mil milhões de euros dos cerca de 350 mil milhões em dívida pública, que é pré-condição para que os países europeus e o FMI concedam um segundo resgate ao país. Se não houver acordo, a Grécia não terá como pagar 14,5 mil milhões em dívida que vencem no próximo dia 20 de Março. Isto empurraria o país para default (incumprimento) descontrolado, que poderia provocar uma crise bancária na zona euro e contagiar outros países, nomeadamente Portugal.

