O antigo presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, Miguel Cadilhe, defende, em entrevista à rádio TSF, que há, pelo menos, 200 mil trabalhadores a mais na função pública e que o Estado precisa de convencê-los a sair de forma amigável.
No programa Contas de Cabeça, que será emitido no domingo e que a TSF divulga em antecipação um excerto da entrevista, Miguel Cadilhe esclarece que a sua proposta não é despedir funcionários públicos, mas sim atraí-los para rescisões amigáveis.
“É uma opção do próprio. Ninguém, nenhum funcionário público seria obrigado a ir para a rescisão. Por isso mesmo, será amigável. E a rescisão amigável deve ter indemnizações condignas, atractivas”, propõe o ex-ministro das Finanças.
Para financiar a reforma da Administração Pública, Miguel Cadilhe propõe a venda de ouro do Banco de Portugal. “Eu tive o cuidado de falar com o senhor governador do Banco de Portugal sobre este assunto e a questão técnica foi relativamente analisada. Trocámos, aliás, mensagens. A solução que eu apresento no livro está tecnicamente fundamentada. As pessoas podem não gostar da venda do ouro. Claro que quem está no Banco de Portugal não gosta da minha proposta”, disse o economista e antigo membro do Governo de Cavaco Silva.
Em relação à vitória de Cavaco Silva nas presidenciais, Miguel Cadilhe, que teceu recentemente algumas críticas à sua eleição, disse que sendo Cavaco Silva uma pessoa avisada, certamente evitará cometer erros.
“Eu vejo muito bem a eleição de Cavaco Silva para Presidente da República. Cavaco Silva é uma pessoa muito avisada. (...) Ora, quando se avisa uma pessoa para eventuais defeitos que tenha, a pessoa inteligente, a seguir, atenua os seus defeitos”, disse.
Sobre o seu trabalho à frente da API, o antigo governante diz não ficar incomodado que o seu trabalho e os investimentos que ajudou a atrair para Portugal estejam agora a ser anunciados pelo ministro da Economia.
“Fico muito satisfeito. Muito satisfeito. Mas há em carteira, na Agência, muitas negociações, muitos projectos de que não se pode falar enquanto o próprio investidor não fale deles, ou enquanto o contrato de investimento não se fizer”, acrescentou Miguel Cadilhe, que qualificou de “notável” o trabalho da equipa da Agência que até agora presidiu.


