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Alegada substituição de funcionários

Lisboa: confrontos entre grevistas e administração do hotel Tivoli obrigam a intervenção policial

15.04.2006 - 11:02 Por Lusa

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Mais de uma centena de trabalhadores do Hotel Tivoli Lisboa, que cumprem uma greve iniciada na quinta-feira, envolveram-se esta manhã em confrontos com a administração à porta da unidade hoteleira, que terminaram com a chegada da PSP.
A administração do hotel afirma que os grevistas estavam a impedir a entrada de trabalhadores que não queriam aderir ao protesto A administração do hotel afirma que os grevistas estavam a impedir a entrada de trabalhadores que não queriam aderir ao protesto (DR)

De acordo com o sindicalista Rudolfo Caseiro, os confrontos foram provocados pelas tentativas de substituição de funcionários por parte da administração. Por seu lado, a administração do hotel afirma que chamou a polícia quando se apercebeu de que os grevistas estavam a impedir a entrada de trabalhadores que não queriam aderir ao protesto.

A PSP de Lisboa confirmou o envio de um carro-patrulha para as imediações do Hotel Tivoli Lisboa devido a "divergências entre grevistas e a administração", remetendo para mais tarde outros esclarecimentos.

Segundo Rudolfo Caseiro, da direcção do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, quatro carros da polícia e um carro da polícia de choque chegaram ao local por volta das 09h00.

"A polícia cercou o hotel e está a empurrar os trabalhadores para tentar abrir alas e deixar entrar trabalhadores que não são da empresa", disse, acrescentando que o protesto teve início cerca das 06h00.

"Apesar do cordão da polícia, os 'extras' ainda não entraram", afirmou.

O sindicalista disse ainda que os trabalhadores tentaram "explicar à polícia que quem queria entrar eram 'extras', funcionários contratados pela administração devido à greve, o que a lei considera ilegal".

Por seu lado, Alexandre Soleiro, director-geral de operações do hotel, negou que os trabalhadores que estavam a tentar entrar no hotel sejam contratados para substituir os grevistas.

O responsável salientou que "quem quer entrar são funcionários que não concordam com a greve e outros requisitados especificamente para épocas de alta ocupação a empresas de trabalho temporário que trabalham com o hotel".

"É normal os hotéis requisitarem trabalhadores a empresas de trabalho temporário para as épocas de alta ocupação, pelo que esta requisição já está prevista há muito tempo, ainda antes da convocação da greve, tal como já está prevista a requisição de um determinado número destes trabalhadores para outras épocas do ano", disse, sublinhando que, mesmo sem greve, "estes trabalhadores iriam trabalhar porque o hotel está na sua ocupação máxima devido à quadra da Páscoa".

A administração chamou a polícia quando "os grevistas formaram um cordão para impedir a entrada de trabalhadores que queriam trabalhar", por considerar que "o piquete de greve estava a ameaçar estes empregados", disse Alexandre Soleiro, sublinhando que apenas foram proferidas "palavras exaltadas".

Segundo Alexandre Soleiro, estão em greve trabalhadores de quatro hotéis Tivoli (dois em Lisboa, um em Seteais e outro em Sintra), que representam cerca de 400 funcionários.

"Em Seteais e em Sintra, a paralisação quase não se faz sentir e quanto aos dois hotéis de Lisboa, ainda não é possível avançar com uma taxa de adesão porque há trabalhadores que querem vir trabalhar mas não são capazes de entrar devido ao cordão de grevistas", disse, acrescentando que, neste momento, o hotel Tivoli Lisboa tem cerca de 500 clientes, quase todos estrangeiros.

Os trabalhadores dos hotéis Tivoli e Marriot de Lisboa começaram na quinta-feira à noite uma greve pela negociação da actualização salarial e revisão do Contrato Colectivo de Trabalho.

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