O primeiro-ministro, José Sócrates, confirmou ontem à noite que o Governo vai aumentar os impostos para equilibrar as contas públicas, alegando que o défice de 6,83 por cento está muito acima do que tinha sido previsto inicialmente.
A decisão de José Sócrates vai ser anunciada hoje na Assembleia da República, mas foi avançada ontem à noite num discurso de cerca de 40 minutos no início da reunião da Comissão Política Nacional do PS.
"Vamos cumprir o nosso programa eleitoral com uma excepção: o aumento dos impostos", declarou José Sócrates aos dirigentes socialistas, de acordo com fonte da direcção do partido, citada pela Lusa. Segundo a mesma fonte, o primeiro-ministro não especificou que os impostos serão aumentados.
"Nunca ninguém pensou que o valor do défice fosse quase de sete por cento", afirmou o primeiro-ministro, sustentando que se a derrapagem fosse menor seria possível combatê-la apenas "com o corte de despesas e o combate à fraude e evasão fiscal".
Ainda assim, José Sócrates afirmou que a consolidação das contas públicas será feita "de forma sustentada" até ao final da legislatura e voltou a excluir o recurso a receitas extraordinárias.
O primeiro-ministro defendeu que é necessário combater o défice sem pôr em causa o crescimento da economia e do emprego, pelo que se comprometeu a "não cometer os erros do passado", tais como insistir "no discurso da tanga".
O encontro da cúpula política socialista - a que compareceram também os deputados do PS - seguiu-se ao Conselho de Ministros extraordinário que ontem esteve reunido durante cerca de dez horas para aprovar medidas para equilibrar as contas públicas.
Segundo a comissão independente presidida pelo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o défice público atingirá este ano os 6,83 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) caso não sejam adoptadas medidas de emergência.
No final da reunião não foi feita qualquer declaração, mas várias fontes adiantaram que José Sócrates deverá anunciar hoje o aumento da taxa máxima do IVA, o aumento da idade de reforma dos funcionários públicos para os 65 anos e o congelamento da progressão automática das carreiras. O aumento do Imposto sobre Produtos Petrolíferos, sobre o tabaco e bebidas alcoólicas são outras hipóteses aventadas.


