A Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Eléctrica (APIGCEE) acredita que a nova regulamentação para o sector eléctrico, anunciada há dias pelo ministro da Economia, vai permitir optimizar o sistema e baixar os preços.
O ajuste trimestral em Portugal, resultante da variação dos encargos com a aquisição de combustíveis, provocou aumentos entre os 5,59 e 9,82 por cento para os clientes industriais.
Em Espanha, o aumento anual aprovado este ano foi de 1,61 por cento e o Governo espanhol mantém o objectivo de não subir, até 2010, as tarifas acima dos dois por cento.
Com base nesta discrepância de actuação nos dois mercados, o presidente da associação, Clemente Pedro Nunes, afirmou hoje à Lusa que o ministro da Economia, Manuel Pinho, numa reunião com a APIGCEE, "mostrou grande preocupação" relativamente às tarifas pagas pelos industriais portugueses quando comparadas com as de Espanha.
"O Mercado Ibérico de Electricidade tornou mais gritante a desarticulação existente" entre o consumo e a produção em Portugal, afirmou o responsável, que considera "indispensável" que o Governo tome medidas para optimizar o sistema eléctrico.
Na semana passada, o ministro da Economia anunciou em declarações ao PÚBLICO que vai anunciar em breve uma nova regulamentação para o sector que permitirá atenuar os aumentos de custos de electricidade para os grandes consumidores.
Clemente Pedro Nunes afirma que os grandes consumidores não pretendem "subsidiação" das tarifas mas sim a "optimização do sistema" que passará pela possibilidade de contratos de "interruptibilidade rápida" e de aumento do consumo nas "horas de vazio e super-vazio", a preços mais baratos.
O mecanismo de "interruptibilidade rápida" permite cortes de fornecimento de electricidade de curta duração e com pré-aviso aos grandes consumidores industriais, mediante contrapartidas tarifárias.
Este mecanismo visa fazer uma gestão em tempo real do sistema eléctrico e flexibilizar a gestão da carga do lado da procura.


