A Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública (FCSFP) acusou hoje o Governo de querer "despachar a correr" as negociações do projecto sobre a revisão das carreiras, vínculos e remunerações, impedindo os sindicatos de ouvir os trabalhadores.
"Estamos contra um projecto de discussão que não tem em conta o tempo necessário para podermos fazer uma discussão e uma negociação de matérias fundamentais que levaram mais de 30 anos a construir", declarou Ana Avoila, no final de uma reunião com o secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo.
A questão da calendarização é a principal preocupação manifestada pela Frente Comum, que argumenta existirem "muitas matérias graves do documento que merecem ser discutidas".
"Reafirmámos ao Governo que queremos ver salvaguardada a precariedade do emprego, que não admitimos, e vamos contra a instabilidade dos trabalhadores e, em relação às carreiras profissionais, todos os trabalhadores devem estar em igualdade de circunstâncias", reiterou Ana Avoila.
A proposta do Governo prevê alterações, nomeadamente, o fim das progressões automáticas, a generalização do contrato individual de trabalho, a existência de tectos máximos para aumentos e promoções, a aproximação dos horários, férias e faltas do sector público ao regime privado ou a possibilidade de cessação do vínculo laboral por mau desempenho.


