Fórum Filatélico: investigação admite branqueamento de capitais a partir de Portugal

21.07.2006 - 17:01
O Ministério Público espanhol revelou ontem, no âmbito das investigações do caso Fórum Filatélico, que pode haver branqueamento de capitais e outros "fluxos financeiros" a partir de vários países, incluindo Portugal.
No caso de Portugal, foram detectados fluxos financeiros a partir da filial do Fórum Filatélico para contas na Suíça e no Luxemburgo, segundo revelou o fiscal anticorrupção Alejandro Luzón, citado pela agência Efe, numa audição na Audiência Nacional (tribunal especial).
Em Portugal, os casos do Fórum Filatélico e da Afinsa estão a ser investigados pelos Departamentos de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e do Porto, respectivamente, mas "o caso está em segredo de justiça", como frisou hoje em declarações à agência Lusa um responsável da Procuradoria-Geral da República.
"A investigação vai ser mais ampla do que o tema dos selos, que pode converter-se numa anedota", advertiu o fiscal Alejandro Luzón, que se opôs no tribunal à libertação do ex-presidente do Fórum Filatélico, Francisco Briones, e do antigo administrador Miguel Angel Hijón, pedida reiteradamente pelos seus advogados.
O fiscal revelou que tem vários relatórios do Serviço Executivo da Comissão de Prevenção e Branqueamento de Capitais e Infracções Monetárias (Sepblanc) e organismos de controlo financeiro e fronteiras de vários países como a Suíça, a Holanda e o Luxemburgo.
São os relatórios do Sepblanc que mostram que as contas de Francisco Briones, detido por alegados crimes de fraude, branqueamento de capitais, insolvência punível e administração desleal, nutriam-se com transferências feitas pelo particular António Málaga, que pode estar por trás da sociedade Melcart, onde chegavam, por sua vez, transferências do Fórum Filatélico em Portugal.
O administrador do Fórum Filatélico em Portugal, Agustin Fernandez, foi também detido em Espanha.
Também foram detectados "fluxos financeiros", ligados do Fórum Filatélico, de Portugal e de Andorra para a Suíça, país onde estão a decorrer comissões rogatórias para bloquear e investigar o objectivo de contas de Francisco Briones.
O caso começou a 9 de Maio, tal como o da Afinsa, no âmbito do qual o juiz Santiago Pedraz decretou a prisão preventiva de cinco pessoas, entre as quais o presidente honorário e proprietário de metade da empresa, Albertino Figueiredo, todas elas libertadas sem fiança em Junho.

