Diversidade de escolha é a única forma de defesa

Director do Journal of Media Economics diz que a imprensa tem de adaptar-se à Internet

26.10.2005 - 10:10 Por Mário Barros, PÚBLICO

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A Internet não vai eliminar os jornais, mas estes têm de se reinventar se quiserem atrair novas audiências A Internet não vai eliminar os jornais, mas estes têm de se reinventar se quiserem atrair novas audiências (Pedro Vilela/PÚBLICO)
"Houve um sujeito que comprou uma ilha localizada ao largo da Grã-Bretanha chamada Sea Land e declarou aquilo um reino. Nessa ilha, há centenas de servidores de jogo e de pornografia, e nenhum país pode tocar-lhe, porque ele é soberano." Foi este um dos exemplos escolhidos por Alan Albarran, director do Journal of Media Economics e responsável do departamento de Filme e Media da Universidade do Texas (Estados Unidos), para demonstrar os perigos e as virtudes dessa explosiva forma de comunicação que é a Internet.

A afirmação foi feita anteontem à noite, no Instituto Superior de Línguas e Administração, em Vila Nova de Gaia, durante uma palestra sobre as Tendências Internacionais dos Media. Albarran falará amanhã de manhã na Universidade Autónoma de Lisboa sobre Ética e Responsabilidade Social dos Media.

A popularização que a Internet já granjeou afecta, naturalmente, o percurso dos outros meios de comunicação, em especial a televisão e os jornais. Segundo um estudo da PriceWaterhouseCoopers, os gastos do sector da publicidade na Net, em 2009, serão de 32 mil milhões de dólares (26.700 milhões de euros), o maior crescimento de todos os meios de comunicação. Associado a este número está o facto de estarem registados cem milhões de blogues, dez milhões dos quais para copiar músicas e outros tantos de jornais on-line.

É caso para perguntar de que forma é que a imprensa tradicional vai enfrentar a concorrência da Internet? "Terá certamente de se adaptar, porque os impactes da Net vão ser crescentes. Para já, a tendência é de algum declínio, até porque os media estão a procurar cada vez mais nichos de mercado mais personalizados", responde aquele especialista. Por isso, continua, "os jornais, as rádios e as televisões vão continuar a perder dinheiro para a Net, pelo que têm de reiventar-se, se quiserem atrair novas audiências".

Todavia, Alan Albarran não acredita no desaparecimento dos jornais tal como os conhecemos hoje. Na sua opinião, assim como a terceira geração dos telemóveis não vai afectar as televisões, também a Internet não implicará o fim dos jornais em papel. "A actual forma continuará", assegurou.

Mas a Internet é muito mais que media, é informação que se pensa infinita e que pode encerrar perigos por fornecer conteúdos considerados nefastos e, por, ao mesmo tempo, haver muito quem considere as informações publicadas como a verdade absoluta. "É sempre um perigo quando as pessoas recorrem apenas a uma fonte de informação", sublinhou Albarran. Por outro lado, é por causa da Internet que a informação hoje em dia está disseminada por todo o mundo e, nomeadamente através dos blogues, a liberdade de expressão é menos cerceada. "Nenhum país pode controlar a Internet e não há quem a regule", disse.

Sem descurar a importância que os jornais, as rádios e as televisões têm na formação das novas gerações, Albarran atribuiu um papel primordial à Internet pela atracção que exerce e pela facilidade de acesso à sua construção. "Hoje, qualquer pessoa pode fazer um vídeo e colocá-lo no seu blogue", disse. Por isso, Alan Albarran insistiu na necessidade de haver "mais literacia dos media, porque as pessoas vêem as coisas na Net e pensam ser aquela a verdade, mas há muita mentira por aí".

O fantasma da pirataria

O estudo da PriceWaterhouseCoopers apurou que a indústria dos media vai chegar aos 1,8 biliões de dólares (1,5 biliões de euros) em todo o mundo. Os Estados Unidos da América lideram esta tabela, com 690 mil milhões de dólares (575.900 milhões de euros), seguido da zona Ásia-Pacífico, com 432 milhões (360 mil milhões de euros). Segundo Alan Albarran, os sectores de maior crescimento serão os dos videojogos, do acesso à Internet e dos anúncios on-line. O aparecimento de novas tecnologias para descarregar músicas fará com que este sector registe uma explosão considerável - em 2004, 772 milhões de músicas foram descarregadas da Net. Por isso, a pirataria é um dos problemas mais preocupantes para os criadores actuais: "Se estamos em casa em frente ao computador, não pensamos nos direitos dos autores. Mas se publicamos um livro ou fazemos uma música, então a perspectiva é diferente, porque sabemos que o dinheiro vai para as mãos de outros", disse Albarran.

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