Taxas indexadas à Euribor desceram significativamente no ano passado

Descida dos juros à habitação salva famílias

05.03.2010 - 07:55 Por Rosa Soares

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A descida das taxas de juro, passando de um máximo histórico de 5,219 (média da Euribor a seis meses em Setembro 2008) para 0,965 por cento (média de Fevereiro de 2010), impediu que muitas famílias, vítimas da crise ou sobreendividadas, deixassem de pagar as prestações, perdendo a casa para o banco.

A subida vertiginosa da Euribor em 2007/2008, na sequência da desconfiança de que o sistema financeiro estava "envenenado" pelo subprime (crédito imobiliário de alto risco), fez disparar as prestações da casa.

Muitas famílias foram obrigadas a alargar os prazos dos empréstimos e a outras soluções, e mesmo assim o crédito malparado no segmento da habitação disparou.

Perante as ameaças de ruptura do sistema financeiro, os bancos centrais iniciaram uma descida das suas taxas directoras e tomaram outras medidas para restituir liquidez ao mercado, o que fez descer as taxas de juro no mercado monetário, onde se fixa a Euribor.

De forma gradual, ou à medida que aconteciam as revisões periódicas dos contratos, as famílias começaram a respirar de alívio. E, tal como ninguém tinha admitido que a Euribor pudesse subir tão alto, também não se admitia que descesse tão baixo. Neste momento, os prazos mais curtos das taxas Euribor, que resultam da média das operações de empréstimos entre um conjunto alargado de bancos, estão abaixo de 1 por cento, ou seja, abaixo do valor da taxa directora do Banco Central Europeu (BCE), que serve de referência aos empréstimos directos aos bancos.

A descida ao inferno das taxas de juro tem sido uma excelente notícia para as famílias. Um contrato de 150 mil euros, indexado à Euribor a seis meses, por um período de 30 anos e com um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, que tenha sido revisto em Outubro de 2008 (o máximo das taxas), ficou a pagar uma prestação mensal de 891,53 euros. Seis meses depois, ou a partir de Março de 2009, quando aconteceu a revisão seguinte, a prestação caiu para 590,73 euros. Seis meses depois, em Outubro, a taxa voltou a descer para 533,44 euros, e na revisão que acontece este mês desce para 529,63 euros. No espaço de 17 meses, a prestação reduziu-se em 68,3 por cento, ou em 362 euros.

Mas as boas notícias da descida das taxas de juro deverão ficar por aqui. O BCE já iniciou a retirada de algumas medidas de apoios aos bancos e admite-se que, a partir do final do ano, possa iniciar a subida da taxa directora. Como sempre tem acontecido, as taxas Euribor deverão antecipar, e em alguns meses, as decisões do BCE.

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