A Associação de Defesa do Consumidor (Deco) defende que os contratos de adesão aos cartões de Multibanco devem ter uma cláusula que garanta a responsabilidade da entidade bancária face a eventuais levantamentos indevidos.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Deco, Jorge Morgado, considera que "os bancos devem assumir as responsabilidades nos casos de roubo ou clonagem de cartões de crédito ou de débito dos clientes e que isso deve estar completamente claro nos contratos de adesão".
Os actuais contratos de adesão a cartões de crédito e débito "não são explícitos nesta matéria", afirmou.
Quase duas centenas de pessoas já apresentaram queixa desde o último fim-de-semana devido a levantamentos nas suas contas bancárias feitos com cartões Multibanco copiados nos distritos de Leiria e de Santarém, de acordo com a GNR.
"Em caso de fraude por falha do sistema de seguranças das máquinas, o banco é sempre responsável, mas, como é um assunto que não está explicito no contrato, pode demorar algum tempo a ser resolvido", adiantou Jorge Morgado.
Para a Deco "devem ser as entidades bancárias e a Sociedade Interbancária de Serviços a aumentar o grau de segurança dos cartões, porque o que está em causa é a fiabilidade do sistema".
"O sistema é vulnerável e as culpa só podem ser atribuídas ao próprio sistema. Apesar de ter um enorme grau de segurança, os criminosos têm conseguido furar", disse Jorge Morgado.
Para evitar situações deste tipo, as autoridades recomendam o recurso a caixas Multibanco com câmara de vigilância ou situadas no interior de agências bancárias.
As caixas situadas em locais isolados e sem vigilância devem ser evitadas, tal como os terminais que apresentem "algo de invulgar" ou estejam vandalizadas, aconselham ainda as autoridades.


