Crise grega é uma "prova de fogo" do euro, defende dirigente do Deutsche Bank

25.03.2010 - 12:44 Por Lusa
O chefe do gabinete de estudos económicos do Deutsche Bank, Thomas Meyer, desaconselhou hoje empréstimos europeus à Grécia, advertindo contra a abertura de “um precedente” que poderia levar outros países da Zona Euro a solicitar ajudas idênticas. Seria um precedente e a crise da Grécia “é uma prova de fogo para sabermos como será o futuro do Euro".
“O Pacto de Estabilidade e Crescimento exige que os países da moeda única resolvam os seus próprios problemas orçamentais, e desprezar este princípio seria perigoso para a aceitação da União Económica e Monetária”, disse Meyer em entrevista à edição eletrónica do Der Spiegel.
O economista do primeiro banco comercial alemão, que é também autor da ideia da criação de um Fundo Monetário Europeu, assumida entretanto pelo governo alemão, sublinhou que não se trata das verbas envolvidas.
Para resolver os problemas financeiros imediatos da Grécia, seriam necessários, estimou, cerca de 30 mil milhões de Euros, mas só para evitar a falência do Hypo Real Estate, banco alemão de crédito hipotecário, Berlim teve de investir 100 mil milhões de Euros, lembrou.
“O problema é que se criaria um precedente, e governos de outros países poderiam pensar que, em caso de emergência, podiam bater à porta da Alemanha para pedir uns milhões”, alegou Meyer.
Por isso, a crise da Grécia “é uma prova de fogo para sabermos como será o futuro do Euro, não podemos tornar-nos uma união de transferência, em que os países financeiramente mais fortes ajudem os mais fracos, porque as pessoas deixariam de acreditar no Euro”, advertiu.
Meyer disse ainda concordar com a proposta da chanceler Angela Merkel de solicitar apoios do FMI para a Grécia, se necessário, mas lembrou que esta organização não tem registado só sucessos, lembrando a intervenção na Argentina, no final da última década, que não evitou a bancarrota.
“Se acontecesse o mesmo com a Grécia, seria um cataclismo, que poderias arrastar outros países endividados, como a Espanha e Portugal, e teríamos então a segunda edição da crise financeira internacional”, sublinhou o economista do Deutsche Bank.

