O ministro da Agricultura, António Serrano, garantiu hoje, em Terras de Bouro, que os criadores de gado e os pastores afectados pelos incêndios florestais podem apresentar candidaturas a apoios à alimentação desde segunda-feira.
“Os serviços estão a acompanhar os agricultores com muito rigor porque se trata de aplicar bem os dinheiros públicos”, afirmou, dizendo ser prematuro quantificar qual a verba final que será disponibilizada, dado que a época de fogos só termina a 15 de Outubro.
O governante falava aos jornalistas no final da visita que efectuou à zona do monte de Santa Isabel para conhecer os efeitos na agricultura e na pecuária locais dos incêndios que lavraram no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
António Serrano participou numa reunião com agricultores e pastores da Serra do Gerês, acto que contou com a presença do governador civil Fernando Moniz, do presidente da Câmara local, Joaquim Cracel, e do director regional de Agricultura de Entre-Douro-e-Minho, António Ramalho.
Questionado sobre a posição tomada pelo Bloco de Esquerda, que exigiu ao ministério a indicação do montante dos apoios aos pastores e criadores de gado que ficaram sem pastos, o governante disse que “é uma utopia” adiantar verbas, dado que os prejuízos finais só se conhecerão em Outubro, no fim do chamado período crítico de incêndios.
Despacho “é claro e não deixa dúvidas”
António Serrano disse que o despacho que assinou, atribuindo 40 euros por ovino ou caprino ou cem euros por bovino aos criadores de gado de 150 freguesias afectados pelos incêndios, “é claro e não deixa dúvidas”.
“As pessoas que ficaram sem pastagens precisavam de medidas de apoio”, salientou, frisando que, “se o Governo não actuasse, era uma desgraça”. “Deixem-nos fazer o nosso trabalho”, exclamou António Serrano, sustentando que é preciso que as pessoas ajudem, em vez de estarem a criticar.
Serrano lembrou ainda que noutras situações difíceis ou de catástrofe dos últimos anos o Estado já deu resposta idêntica de apoio aos agricultores.
Referindo-se à reunião que acabara de manter com os criadores de gado, o ministro disse que as populações estão preocupadas com a recuperação. “Ouvi sugestões quer na área da limpeza quer na da administração interna ou de combate aos incêndios e também vi que as pessoas entendem que a manutenção da agricultura é fundamental para manter o território ocupado e fazer uma barreira ao avanço dos incêndios”, referiu.
“Aqui há pessoas determinadas em recuperar, gente com muita coragem, empreendedora e habituada a lidar com dificuldades, que agradece a ajuda que lhe possa ser dada quer pelo Estado quer pelos municípios”, declarou ainda o ministro.


