Por uma vez, pais, professores, directores de escolas e as duas federações sindicais estão de acordo. Todos garantem que "o corte cego" de 11 por cento na proposta de OE para a Educação pode ser fatal para a escola pública. Há quem adivinhe "escolas ingovernáveis" e quem preveja o aumento do abandono e insucesso escolar.
Albino Almeida, a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), várias vezes criticado por tomar posições próximas das do Ministério da Educação, assumiu ontem estar "profundamente preocupado". "Com a diminuição dos apoios sociais, a redução dos salários e o aumento do IVA, muitos pais de alunos que ainda não estão abrangidos pela escolaridade obrigatória vão acabar por tirar os filhos da escola", lamenta.
Outra das preocupações diz respeito à continuação da política de formação de agrupamentos e à redução da despesa com os órgãos de gestão.
Os dirigentes das federações sindicais de professores, Mário Nogueira, da Fenprof, e João Dias da Silva, da FNE, não são menos críticos. Este último lamenta que "a incompetência de previsão do Governo resulte agora em cortes brutais"; Nogueira chega a duvidar de que o orçamento tenha sido feito pelo ministério, "tal a contradição" entre os objectivos anunciados e as medidas propostas.


