O presidente da Comissão Nacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM), Luís Raposo, está preocupado com a sobrevivência dos museus públicos do país porque espera “tempos difíceis” em 2011.
“Avizinham-se tempos muito difíceis, já não digo para a progressão, mas para a subsistência dos museus” disse o responsável à Lusa a propósito do Orçamento de Estado (OE) para 2011 no sector da cultura.
O Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) desce 10,7 por cento no respetivo orçamento, comparando com 2010, recebendo no próximo ano 15,9 milhões de euros. Luís Raposo estranha esta descida: “A diminuição ou é um sinal político ou então não sei, só conheço ainda dados preliminares”, comentou, apontando que, por outro lado, o orçamento para o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) prevê um aumento.
Também de acordo com os dados do OE 2011, o Igespar aumenta 29,8 por cento no orçamento em relação a este ano, passando a 20,9 milhões de euros.
“Os museus públicos em geral, e não apenas os do Ministério da Cultura, têm vindo a ser penalizados num acumulado de anos, e nem falo de grandes projectos. Estão num nível muito deficiente de subsistência”, avaliou Luís Raposo, que é também director do Museu Nacional de Arqueologia.
Como presidente do conselho nacional do ICOM, não concorda com as reduções porque “os museus públicos já se encontram numa situação de grande penúria”, lamentou o responsável pela representação portuguesa daquele organismo internacional que tem como objectivos a preservação e divulgação do património neste sector.
Ressalvou, contudo, que no caso dos museus afectos ao Ministério da Cultura, em 2010 houve uma medida positiva, quando se deu o reforço dos efectivos de recepção e guardaria nos museus.
“Os níveis de pessoal nessa área estavam abaixo dos mínimos, e agora estão nos mínimos”, observou, apontando, porém, que um museu, “é muito mais do que gastos com pessoal. Necessita de investimento em projectos como exposições e catálogos”.
Ainda segundo os dados oficiais, o IMC tinha um orçamento para 2010 de 22,7 milhões de euros, com uma estimativa de execução de 17,8 milhões de euros, ficando por gastar 4,9 milhões de euros.


