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Protesto contra eventual encerramento da fábrica

Comissão de Trabalhadores da Opel da Azambuja admite nova greve

29.06.2006 - 22:15 Por Lusa

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Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã compareceram no protesto dos trabalhadores Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã compareceram no protesto dos trabalhadores (João Relvas/Lusa)
A comissão de trabalhadores da Opel da Azambuja admitiu hoje a possibilidade de realizar uma nova greve contra o eventual encerramento da fábrica pela General Motors (GM), que poderá acontecer em Outubro.

O coordenador da comissão de trabalhadores da Opel da Azambuja, Paulo Vicente, disse que num plenário marcado para 10 de Julho será proposta a forma de luta "mais útil para defender os trabalhadores", não afastando a possibilidade de greve.

O representante dos trabalhadores adiantou, no entanto, que "enquanto surgirem propostas, como a dos trabalhadores da AutoEuropa de que parte da Opel Combo possa ser produzido nas prensas da fábrica de Palmela, poderão reunir-se as condições para que haja solução para a viabilidade da Azambuja".

Paulo Vicente falava durante uma concentração de cerca de 1200 trabalhadores da Opel junto à residência oficial do primeiro-ministro, onde foram recebidos por um assessor de José Sócrates.

Questionado sobre se receberam, durante a breve audiência, uma resposta indicativa do acompanhamento da situação pelo primeiro-ministro, Paulo Vicente respondeu negativamente. "A única indicação que tivemos foi que o primeiro-ministro está a acompanhar o processo através do ministro da Economia", afirmou o representante dos trabalhadores.

Sobre o possível encerramento da unidade da GM em Portugal, Paulo Vicente disse que "a GM, enquanto empresa multinacional a nível global, não é o tipo de empresa que, de um momento para o outro, chegue aqui, leve o material, sem haver qualquer tipo de negociação ou de entendimento entre os trabalhadores e a direcção".

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, associou-se à concentração de trabalhadores e afirmou que "o Governo tem baixado os braços, tem dito que negoceia, mas [o Governo] não é um negociador".

Louçã lembrou que "esta empresa assinou um contrato com Portugal, recebeu vantagens desse ponto de vista e fez um contrato com os trabalhadores que implica que a empresa produz até 2009". "O encerramento não é inevitável e se o Governo aceitar o desemprego e o despedimento como inevitável está a cometer um gravíssimo erro", disse o dirigente político.

Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, compareceu no protesto dos trabalhadores da Opel e disse que a GM "está a usar esta arma de chantagem de deslocalização com consequências dramáticas para o nosso país". "Basta pensar que [a Opel] é uma empresa que, além das consequências sociais, corresponde a 0,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) que, no quadro de uma economia praticamente estagnada constituiria mais um golpe" para Portugal.

Para o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, igualmente presente na concentração "uma das causas complicadas que leva a esta situação situa-se na persistência do país numa matriz de desenvolvimento que não dá atenção ao sector produtivo e não aposta no investimento".

A fábrica da Azambuja registou em 2005 uma produção recorde de 73.711 unidades, dos quais 65 por cento de Combo Van (comerciais ligeiros) e 35 por cento Combo Tour (ligeiros de passageiros). Em funcionamento desde 1963, a fábrica da Azambuja recebeu investimentos de 130 milhões de euros entre 1999 e 2001 para capacitar a unidade para a produção do modelo ligeiro comercial Combo.

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Desfile de "salvadores da pátria"

Basta... chega de dar oportunidades a todos os que nada têm feito para manter esta fábrica em ...

Anónimo

03.07.2006 09:36