Central fotovoltaica de Moura recebe licença de construção

26.10.2005 - 11:35 Por Lurdes Ferreira, PÚBLICO
O projecto da maior central fotovoltaica do mundo, em Moura, recebe hoje formalmente a licença para a respectiva construção, depois de dois anos de impasses e de reformulação parcial do empreendimento.
Para além da anunciada central de 350 mil painéis solares, com uma potência de 49,6 megawatts e com arranque condicionado à construção de uma fábrica de painéis solares, o projecto tem agora prevista a criação de um fundo de inovação de três milhões de euros, orientado para a investigação e desenvolvimento. Inclui também o lançamento de um programa educativo de quatro anos para as 250 escolas da região, abrangendo a formação de dois professores por escola e fornecimento de equipamento informático, cooperação com as universidades e atribuição de bolsas de estudo.
O projecto, orçado em 250 milhões de euros para a central e mais dois milhões de euros para a fábrica, pertence à Ampersolar, detida maioritariamente pela Câmara de Moura e tendo a BP Solar como parceiro tecnológico. Vai absorver cerca de um terço do total da potência destinada à energia fotovoltaica no país até 2010. O secretário de Estado adjunto da Indústria e Inovação, António Castro Guerra, justifica a decisão por se tratar de um projecto que "tem associado um projecto industrial que garante que parte substancial da capacidade a instalar será feita em Portugal" e que compensa, assim, o facto de se tratar da energia renovável mais cara - 320 euros por megawatt. A incorporação nacional comprometida é superior a 50 por cento.
A nova fábrica em Moura tem agora previsto dar emprego a 115 pessoas, valor revisto em baixa face aos iniciais 240. A sua capacidade de produção vai ficar completamente absorvida durante três anos pela construção dos painéis. Para cumprir os 10 anos de actividade a que fica obrigada, a fábrica terá de ganhar mercado externo para exportar produção nos sete anos seguintes.
Está prevista a atribuição de subsídios correspondentes a 30 a 35 por cento do investimento e a fábrica deverá apresentar uma facturação anual de 62 milhões de euros.
Castro Guerra nega que o empreendimento tivesse já tido uma inauguração falhada há algumas semanas, em vésperas de eleições. "Nunca disse que ia inaugurar [o empreendimento]."

