Cavaco Silva foi rápido a reagir ao fracasso das negociações entre o Governo e o PSD para o Orçamento do Estado (OE) de 2011, e quis dar um sinal: ao Governo, aos partidos e também aos mercados.
Nem uma hora tinha passado sobre o fim das conversações no Parlamento quando Cavaco convocou o Conselho de Estado, o órgão de consulta do Presidente da República. A informação foi colocada na página da Presidência na Internet sem mais explicações, além da alínea do artigo da Constituição - alínea e) do Artigo 146.º): “aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções”.
O PÚBLICO sabe que, com a convocação em tempo recorde do Conselho de Estado, o Presidente tenta dar, internamente, um sinal de autoridade, que também pode ser interpretado como mais uma pressão para o acordo no OE. E tenta, igualmente, dar um sinal de acalmia para o exterior e mercados, que reagiram negativamente ao fracasso das negociações.
Um dos pontos que está a causar estranheza entre os socialistas ouvidos pelo PÚBLICO é o timing: sexta-feira. Porque se o PSD anunciar hoje uma abstenção no Orçamento, apesar da ruptura nas negociações, a reunião do Conselho de Estado perde relevância. Ou seja, justificar-se-ia mais em cenário de crise e de “chumbo” do Orçamento. Recorde-se que, a 24 de Setembro, o primeiro-ministro admitiu demitir-se se o OE fosse chumbado.
Olhando à agenda europeia do primeiro-ministro, compreende-se a escolha de sexta-feira à tarde: amanhã e na manhã de dia 29 José Sócrates estará em Bruxelas para um Conselho Europeu.


