Caixa Geral de Depósitos deve chumbar venda, concordam os partidos

30.06.2010 - 08:55 Por Leonete Botelho, Ana Brito
PSD, Bloco de Esquerda, PCP e CDS concordam com orientação dada pelo primeiro-ministro ao banco.
A PT é estratégica, diz o Governo e dizem os partidos da oposição. Depois de na semana passada o primeiro-ministro ter revelado no Parlamento que deu orientações à accionista CGD para votar contra a venda da Vivo na assembleia geral (AG) que hoje se realiza, o PSD vem dizer que concorda com a decisão.
Mas desde que seja por considerar que a participação na empresa brasileira é estratégica. "A PT é uma empresa privada e como tal o que conta é a posição dos accionistas", defende Miguel Relvas, secretário-geral e porta-voz do PSD. Assim, "cabe ao Estado enquanto accionista da CGD dar um sinal sobre se o investimento na Vivo é ou não estratégico."
Para o PSD, é, e como tal não deve ser alienado. Já sobre a golden share, o PSD entende que o Estado deve extinguir a que detém na PT, porque "não se justifica que tenha uma participação especial em matéria de telecomunicações". "O que há a fazer é reforçar a regulação do sector", defende Miguel Relvas.
Para José Gusmão, do Bloco de Esquerda, faz todo o sentido que o Governo "use os meios ao seu dispor para tentar travar a venda da Vivo", mas o deputado lamenta que o Estado quase tenha anulado a sua capacidade de intervir. "O Estado, ao abdicar de uma posição determinante num sector estratégico perdeu também os instrumentos para lidar com este tipo de situações, que se tornaram inevitáveis."
Posição semelhante à do PCP que defende, pela voz de Agostinho Lopes, que a ofensiva da Telefónica "põe a nú os riscos gerados pela privatização de uma empresa como a PT." Dizendo concordar com a indicação dada à CGD , o deputado comunista entende que a concretizar-se a venda da Vivo, "o resultado não se deve traduzir no reforço da distribuição de dividendos aos accionistas, mas no abatimento da dívida da PT". Agostinho Lopes diz ainda que o PCP está "em completo desacordo" com a intenção de Bruxelas de eliminar a golden-share do Estado, "apesar de ter ficado claro desde o início que este mecanismo não seria suficiente para proteger a PT das ofensivas que se seguiram."
Um desacordo partilhado por José Gusmão, que entende que se a decisão do Tribunal Europeu obrigar Portugal a desfazer-se destas acções especiais, deverá "lançar-se o debate" sobre alternativas que permitam ao Estado "continuar a ter uma palavra a dizer."
Paulo Portas, líder do CDS, entende que a orientação dada à Caixa pelo Governo "é natural" tendo em conta "a importância da PT para a política externa portuguesa e a importância da Vivo para a PT."

