• O romantismo de cada ruína
  • Barthoven, o primeiro bar de música clássica de Lisboa
  • Volta ilustrada à cidade

Diz o seu advogado

Armando Vara quer “esclarecer tudo” se houver “condições para o fazer”

17.11.2009 - 17:07 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
O ex-ministro socialista Armando Vara pretende “esclarecer tudo” quando quarta-feira for ouvido, como arguido, pelo juiz de instrução criminal de Aveiro no processo Face Oculta, revelou hoje um dos advogados de defesa.

“A nossa vontade é esclarecer tudo”, garantiu à Lusa o advogado Tiago Rodrigues Bastos, sublinhando que esta atitude vai “depender” da existência de “condições para o fazer”, pois a defesa de Armando Vara “não sabe o que vai acontecer” no interrogatório, designadamente se terá “acesso” ao material probatório que alegadamente incrimina o vice-presidente do BCP que, entretanto, suspendeu as funções.

Em síntese, Tiago Rodrigues Bastos admite que a intenção da defesa de Vara é “esclarecer tudo” o que diga respeito a questões “concretas” e saber o que realmente sobre ele pende, em vez de ser confrontado com acusações “genéricas”.

Entretanto, segundo fonte judicial, Armando Vara, à semelhança do presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, José Penedos, e o filho deste último, Paulo Penedos, é apontado pelos investigadores como integrando uma “rede tentacular” criada pelo principal arguido, o empresário Manuel José Godinho, administrador de diversas empresas de recolha, armazenagem, triagem e tratamento de resíduos/sucatas que prestam serviços a empresas com ligações ao Estado, como a REN e a REFER-Rede Ferroviária Nacional.

Para os investigadores, adianta a fonte, a execução do plano alegadamente delituoso de Manuel Godinho, que está em prisão preventiva, passaria pelos membros dessa “rede tentacular”, os quais, a troco de vantagens patrimoniais e/ou não patrimoniais, favoreciam ou exerciam a sua influência junto de titulares de cargos governativos e/ou políticos, titulares de cargos de direcção ou de pessoas com capacidade de decidir ou com acesso a informação privilegiada, no sentido de beneficiar as empresas do empresário de Ovar.

A fonte referiu, também, que os investigadores sustentam que a 7 de Fevereiro de 2009 Manuel Godinho deslocou-se a Vinhais para almoçar com Armando Vara e que uns tempos mais tarde o arguido Lopes Barreira (empresário e membro fundador da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária) contactou telefonicamente Manuel Godinho informando-o que, por sua iniciativa e de Armando Vara, iria ocorrer no dia seguinte uma reunião em sua casa com o então ministro das Obras Públicas, Mário Lino, sobre a contenda judicial e extra-judicial que opunha o empresário de Ovar e a REFER.

Segundo a mesma fonte, os investigadores alegam ainda que na manhã de 25 de Maio de 2009 Manuel Godinho encontrou-se com Armando Vara no seu gabinete no edifício do Millenium/BCP, na Avenida José Malhoa, Lisboa, onde lhe entregou os 10 mil euros que Vara alegadamente havia solicitado para interceder a favor do empresário de Ovar.

Durante a investigação do processo Face Oculta, Armando Vara foi um dos arguidos alvo de escutas telefónicas, tendo as suas conversas com o primeiro-ministro, José Sócrates, suscitado acesa polémica judicial sobre a validade das mesmas, tendo as primeiras seis escutas de conversas entre ambos sido declaradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento.

No decurso da operação da Face Oculta, 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do BCP, que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI, de Manuel Godinho.

Estatísticas

  • 1174 leitores
  • 16 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1410236

Comentário + votado

???

Se a Justiça funcionasse como seria de esperar, algumas figuras pareceriam as socialites fúteis com ...

Felicidade

17.11.2009 18:11