Pelo menos 200 amas vindas de todo o país manifestaram-se hoje frente ao Ministério do Trabalho para exigir a alteração do estatuto de trabalhadoras independentes, que a obriga ao desconto de quase 30 por cento dos seus salários.
Actualmente, existem 1265 amas com contratos de prestação de serviços celebrados com a Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia. Estas mulheres recebem na sua casa um máximo de quatro crianças por períodos que chegam a ultrapassar as 12 horas diárias. Em troca recebem 439 euros líquidos como salário mensal.
Por se encontrarem inscritas como trabalhadoras independentes, as amas, que têm como salário bruto 619 euros, descontam para a Segurança Social cerca de 180 euros.
Perante este desconto, a Associação dos Profissionais no Regime de Amas, que organizou o protesto, entregou no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social um pedido para que seja alterado o actual estatuto das amas e que estas passem a ser consideradas trabalhadoras dependentes. Neste caso, as amas passariam a descontar "menos de 70 euros" para a Segurança Social, como explicou à Lusa Gracinda Santos, da direcção da associação.
Vestidas a rigor, com bonecas ao colo e chupetas ao pescoço, as quase 200 amas concentraram-se na Alameda D. Afonso Henriques rumo ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. "Amas unidas jamais serão vencidas" foi a frase de ordem mais ouvida durante o percurso.
Irene Reis veio de propósito de Fátima e resumiu numa única frase a situação em que vivem as amas como ela: "Recebemos 42 cêntimos por criança, à hora". Esta ama alerta para o risco destas profissionais desaparecerem, devido à falta de condições que lhes são dadas. "Em Fátima existem 25 amas que tratam de quase cem crianças, mas existem outros cem meninos à espera de vaga. Ninguém quer ser ama e se um dia nós desistirmos teremos milhares de crianças sem ter onde ficar", contou.
"Somos obrigadas a trabalhar doze horas por dia sem hora de descanso e sem subsídios de Natal e de férias e ainda temos de pagar do nosso bolso a água, luz e aquecimento", disse, por sua vez, Ana Matos que hoje teve de deixar as crianças de que toma conta com os avós para poder participar na manifestação.
As amas sustentam que só são "trabalhadoras independentes para pagar os descontos da segurança social", já que têm receber as crianças que lhes são enviadas, cumprir horários e ter a porta sempre aberta para receber as educadoras da instituição.
"Elas aparecem à nossa porta à hora que querem. Põem e dispõem da nossa casa. Para o Estado isto é uma maravilha, não gastam dinheiro em creches e têm o serviço à mesma", criticou Anabela Areias, que também teve de trocar as suas quatro crianças de Odivelas pela manifestação para exigir "condições de trabalho mais dignas".


