Afinsa: accionistas responsabilizam Estado espanhol pela situação dos investidores

29.06.2006 - 10:46 Por Lusa
Os dois accionistas da Afinsa responsabilizam o Estado espanhol pela situação dos mais de 180 mil investidores e asseguram que estão inocentes das cinco acusações de que são alvo, numa entrevista publicada hoje no "Jornal de Negócios". Entre apelos à calma, os accionistas pedem que os investidores não vendam os seus selos.
O luso-espanhol Albertino Figueiredo e o espanhol Juan Cano Cuevas negam todas as acusações de que são alvo - insolvência punível, administração desleal, branqueamento de capitais, burla e fuga ao fisco - e acusam a inspectora da agência tributária espanhola de ter erradamente classificado a empresa como sendo do ramo financeiro.
"A disposição legal qualifica os nossos contratos como operações mercantis e comerciais. Logo, os nossos contratos estão regulados por lei", afirma Juan Cuevas. "A inspectora da agência tributária disse que a nossa empresa era financeira e, partindo desse princípio, afirma que o dinheiro que recebemos para pagar os selos do cliente não é um negócio. Segundo ela, o cliente está a emprestar dinheiro à companhia. E isto não é verdade", acrescenta.
Cuevas apela aos investidores da Afinsa para terem "calma" e recomenda que não vendam os selos, pois "não perdem os seus direitos". "Se fizerem bem não perdem dinheiro. Têm um contrato na mão e têm de fazer valer os seus direitos", afirma.
Contudo, Albertino Figueiredo di< nada poder fazer em relação àqueles que têm contratos a chegar ao fim, assegurando que está a ser preparado um plano, com a colaboração de três economistas catedráticos, para tentar recuperar a empresa. "Pretendemos apresentar este plano o mais brevemente possível ao juiz. Estamos a resistir para não liquidar a companhia", afirma.
Até à eventual viabilização da empresa, Albertino Figueiredo diz que "o Estado espanhol é que tem de resolver o problema".
Juan Cano Cuevas diz ainda que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português Martins da Cruz não se demitiu do Escala Group mas foi afastado pelo administrador judicial.
Albertino Figueiredo e Juan Cuevas - cada um com 50 por cento do capital da Afinsa - aguardam julgamento, tendo perdido o acesso a todos os seus bens. Segundo dizem, dispõem de cerca de três mil euros nas suas contas bancárias.

