A Câmara Municipal de Lisboa (CML) discutirá hoje um relatório de contas da EPUL relativas a 2005 cujo conteúdo suscita dúvidas ao seu próprio auditor oficial de contas. Em causa está, segundo a empresa Grant Thornton, a gestão contabilística que a empresa municipal para a promoção imobiliária fez, entre outros, de negócios com o Sporting e o Benfica. Os valores em causa ascendem a quase 20 milhões de euros, divididos ao meio pelos dois clubes.
Segundo o relatório, a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) contabiliza já como receitas futuras verbas que resultarão de negócios imobiliários que ainda não se concretizaram. Os negócios em causa são no Vale de Santo António (com o Benfica) e na Quinta José Pinto (com o Sporting). Em cada um dos terrenos, os dois clubes contratualizaram com a EPUL - gestora dos terrenos, por concessão da Câmara de Lisboa - a construção de 200 fogos.
A empresa negociou depois com os dois clubes a partilha dos lucros da venda desses fogos e já os contabilizou no seu relatório de contas de 2005, na rubrica "outros devedores" - sendo esse, precisamente, o ponto da crítica da empresa revisora oficial de contas.
"Até à presente data ainda não se iniciou a construção dos referidos fogos, pelo que não podemos concluir se os resultados líquidos provenientes da respectiva venda serão suficientes para justificar o valor dos adiantamentos por conta de lucros entretanto efectuados", lê-se no documento que será hoje apreciado pelo executivo camarário.
Assim, o auditor de contas deixou bem claro no seu relatório que só aceita as demonstrações financeiras que lhe foram apresentadas pela EPUL como sendo de "forma verdadeira e apropriada" se se exceptuar os negócios que lhe suscitaram dúvidas. Por outras palavras: encara as contas da EPUL de "forma verdadeira e apropriada" se não tiverem em conta "os efeitos de eventuais ajustamentos que poderiam revelar-se necessários".
Além dos negócios do Benfica e do Sporting, o parecer também põe em dúvida outros, nomeadamente com a Sociedade de Construções João Bernardino Gomes. A dúvida é sempre a mesma: a EPUL contabiliza-os por conta de decisões urbanísticas da CML que ainda não ocorreram.


