O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, afirmou hoje que Maria José Morgado foi a sua “primeira escolha” para coordenar os processos relacionados com a operação Apito Dourado, uma nomeação que a procuradora-geral adjunta "aceitou sem receio".
"A procuradora Maria José Morgado foi a minha primeira escolha para liderar a equipa, convidei-a quarta-feira e ela aceitou, o que me deixou muito satisfeito", afirmou Pinto Monteiro, que amanhã vai reunir com a nova coordenadora do processo Apito Dourado para formarem a equipa que irá acompanhar os processos no caso de corrupção no futebol.
"A equipa será pequena, deverá ser formada por dois ou três procuradores do Ministério Público, mais dois ou três inspectores da Polícia Judiciária, e funcionários judiciais", adiantou o procurador-geral.
Pinto Monteiro explicou ainda que a escolha de Maria José Morgado foi da sua "inteira responsabilidade", tendo sido divulgada hoje por "uma questão de timing".
Quanto à magistrada, o procurador-geral considerou: "É uma magistrada experiente, já deu provas e dá-me todas as garantias que fará um bom trabalho".
Uma nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) lida pouco antes, em conferência de imprensa, afirma que a nomeação tem como objectivo "uma coordenação eficaz no sentido de imprimir a dinâmica e rigor necessários à descoberta da verdade material".
A Procuradoria sublinha ainda que o processo Apito Dourado "engloba situações, factos e eventuais ilícitos muito diversificados e de grande complexidade processual, que terão ocorrido em várias comarcas" e que "essa dispersão territorial torna difícil a análise, enquadramento e obtenção de resultados no que toca à investigação", motivos que justificaram a concentração dos inquéritos numa única equipa.
A PGR indica que o procurador Carlos Teixeira, do Tribunal de Gondomar, continuará a exercer as funções actuais no processo principal Apito Dourado, uma vez que este já está em fase de instrução naquele tribunal. Segundo Pinto Monteiro, Carlos Teixeira foi informado de que iria ser formada uma equipa para o caso, mas não lhe comunicou o nome da coordenadora, agora anunciado.
A Procuradoria lembra ainda que não foi o livro de Carolina Salgado (ex-companheira do presidente do FC Porto, Pinto da Costa) lançado na passada semana que condicionou esta decisão, mas admite que a apressou.
Maria José Morgado assumiu entre 2000 e Agosto de 2002 a chefia da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária. Actualmente é procuradora-geral adjunta no Tribunal da Relação de Lisboa.


