Funcionários do Tribunal de Sintra procederam hoje à tarde a um acção de arresto de bens na casa do antigo presidente do Benfica João Vale e Azevedo. O arresto foi accionado por uma sociedade imobiliária inglesa, na sequência do incumprimento de um contrato de aquisição de uma residência nos arredores de Londres.
Luísa Cruz, advogada de Vale e Azevedo, adiantou à Lusa que o ex-presidente do Benfica foi notificado de "uma acção interposta por uma sociedade imobiliária inglesa relativamente a um contrato de promessa de compra e venda de um imóvel", por forma a "garantir o crédito".
A advogada explicou que em causa "não está uma dívida, está um incumprimento contratual", cujo valor não especificou.
Segundo a causídica, João Vale e Azevedo, que tem vários processos pendentes em tribunal, fez "uma oposição à execução da penhora" solicitada pela sociedade imobiliária inglesa aos tribunais e apresentou um "seguro de caução, de uma seguradora francesa, para garantir o crédito que estava a ser solicitado".
"Não houve notificação do tribunal"
"Até à presente data não houve notificação do tribunal sobre se aceitava ou não a garantia apresentada", disse Luísa Cruz, que se mostrou surpreendida com a penhora.
Luísa Cruz lamentou não ter tido oportunidade de apresentar uma nova caução, por não ter sido notificada da rejeição da caução anterior.
"Tínhamos substituído a caução bancária por outra", afirmou também a advogada do antigo presidente do Benfica.
"Estamos habituados"
"Estamos habituados que em relação a Vale e Azevedo as coisas surjam desta forma", considerou ainda Luísa Cruz.
João Vale e Azevedo, que presidiu ao Benfica entre Outubro de 1997 e Outubro de 2000, foi condenado e cumpriu uma pena de prisão, na sequência do caso Ovchinnikov, relacionado com a apropriação de verbas na transferência do guarda-redes russo.
O ex-presidente do Benfica foi ainda condenado em primeira instância nos processos Euroárea - venda dos terrenos Sul do Benfica e aquisição simulada dos terrenos do centro de estágio do clube, no Seixal - e Dantas da Cunha - por burla qualificada e falsificação de documentos, relacionada com a falsificação de uma procuração para obter uma hipoteca sobre um imóvel na Praça Francisco Sá Carneiro, em Lisboa, no valor de 1,5 milhões de contos (7,5 milhões de euros).


