Super Bock Super Rock

Weekend no Meco

18.07.2010 - 12:03 Por Vítor Belanciano

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 (Miguel Manso)
Os excelentes concertos dos Vampire Weekend e de Patrick Watson, ontem, no Meco, no festival Super Bock Super Rock, fizeram esquecer o pó, o trânsito e Julian Casablancas. O festival termina hoje.

Muito pó. Algumas filas de trânsito. Um parque de campismo que foi alvo de reparos pela falta de ordenamento tendo em conta o número de pessoas que comportava. E um cartaz aliciante, dividido por dois palcos a funcionar em simultâneo e uma tenda gigante. Parece os primeiros anos de festival Sudoeste, na pradaria alentejana, quando os espectáculos faziam esquecer as infra-estruturas ainda não totalmente consolidadas.

É essa a primeira impressão do Super Bock Super Rock, versão Meco, um festival que já encontrou a sua identidade em termos de cartaz – a procura da actualidade em termos de linguagens rock alternativas ou de sonoridades dançantes e a aposta em algumas figuras veteranas que ainda marcam a agenda hoje – mas que ainda necessita de ser melhorado.

Ao segundo dia terão passado pelo recinto sensivelmente o mesmo número de pessoas que na noite anterior – cerca de 20 mil – e o grande destaque foram os nova-iorquinos Vampire Weekend, com um espectáculo excelente. Já lhes vimos vários concertos e são sempre assim: joviais, espontâneos, endiabrados, como se fosse sempre a primeira vez. E desta vez tiveram também o público completamente rendido desde o primeiro momento, graças ao culto que os seus dois álbuns alcançaram (“Vampire Weekend” e “Contra”) e a um conjunto de canções (“A-punk”, “Cousins”, “Holiday”, “Giving up Gun” ou “Cape cod kwassa kwassa”), possuídas por igual dose de dinamismo rítmico e eficácia melódica.

O baixista e o baterista são uma fonte inesgotável de energia, marcando o ritmo e a vivacidade da função, o teclista cria o ambiente e é o vocalista Ezra Koenig que canta, guincha, interage de forma polida mas certeira com a assistência, e retira da sua guitarra acordes que remetem para África. Às tantas, estava a cumplicidade entre palco e plateia no auge, lançou um “nunca ninguém nos tinha feito isso!”, reportando-se ao coro e às palmas a compasso provindas das primeiras filas. Pode não ser verdade, mas dito daquela forma tão desarmante parece. Fazem parte daquele núcleo reduzido de bandas que faz de cada concerto uma festa, conseguido transmitir o grande prazer de estarem ali e isso é invulgar.

Não era preciso, mas foram eles que levantaram mais pó ontem à noite, pondo toda a gente a dançar. Mais não fosse por eles o Weekend no Meco já tinha valido a pena. Antes já tinha actuado a outra figura mais esperada da noite – Julian Casablancas, o vocalista dos The Strokes, que se estreou a solo o ano passado com o álbum “Phrazes for the young”.

Também ele é de Nova Iorque, mas as comparações com os Weekend ficam-se por aí. Enquanto o concerto destes foi revitalizante, o de Casablancas foi desinspirado. E é estranho. O seu álbum, apesar de não acrescentar nada de novo aos Strokes e de não ter as canções eficazes destes, é um bom disco. Mas ao longo de pouco mais de quarenta minutos, nunca mostrou grande entrega e, nem uma descida do palco até ao público, conseguiu entusiasmar por aí além uma assistência que tinha ficado de sobreaviso no início, quando foram tocadas canções dos Strokes.

Não triunfou Casablancas, fizeram-no os ingleses Hot Chip, uma máquina de pop electrónica dançante de grande eficácia que levou a multidão a levitar em canções como “Over and over” ou “We have love”, e o canadiano Patrick Watson. Este é um caso sério. Não lhe vimos o concerto na totalidade – a segunda metade decorreu à mesma hora que os Weekend – mas não deverá ter sido diferente da primeira metade e de outros concertos que já lhe vimos. A sua música está próxima do rock, mas estruturalmente parece jazz. Actua com um naipe alargado de músicos – onde nem falta um quarteto de cordas – mas também canta só ao piano.

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