A crise no país e no mundo, o "download" de filmes da Internet, a compra de "cópias-pirata" nas feiras e o acesso facilitado aos DVD são os principais factores que fizeram o Cineclube de Guimarães perder, num ano, quase três mil espectadores, refere Carlos Mesquita, presidente da associação.
Contudo, apesar desta perda acentuada, a integração social e o espírito associativo dos vimaranenses continuam a dar ao Cineclube de Guimarães a liderança das bilheteiras. "Houve uma época em que havia várias salas de cinema a funcionar ao mesmo tempo em Guimarães e mesmo assim o cineclube resistiu. Isso deve-se a factores locais, ou seja, às relações comunitárias que aqui são fortes, há um espírito de associativismo e de fidelidade ao cinema", esclarece Mesquita.
O principal papel dos cineclubes é continuar a exibir os filmes que são ignorados pelas distribuidoras, diz o presidente, apontando a importância da criação de uma cinemateca no Porto, para incentivar a cultura cinematográfica e conduzir à cinefilia. Carlos Mesquita refere ainda que os cineclubes deveriam retomar a ligação com os realizadores para promover a produção de filmes, embora reconheça os custos elevados que esta actividade acarreta.
O cinema deve ser visto como um elemento de integração social e abordado numa perspectiva cultural e não só comercial, deve ser apartidária, progressista e aberta a toda à sociedade, enfatizou o presidente da associação. "Hoje em dia, o cinema tornou-se descartável, consome-se e depois deita-se fora", lamenta o dirigente associativo, referindo-se a um contexto em que os espectadores estão cada vez mais atomizados e pouco dados à reflexão.
O Cineclube de Guimarães foi fundado em 1958 e actualmente possui pouco mais de mil sócios. É apoiado pela Câmara de Guimarães e pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual. Apresenta sessões regulares à quinta-feira e ao domingo, no Centro Cultural Vila Flor. À terça, promove o Ciclo de Cinema, também no Vila Flor, cujo tema actual é Filmes Esquecidos, que tem como objectivo divulgar as produções que são literalmente "esquecidas" pelas distribuidoras, num contexto de massificação em detrimento da diversidade.


