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Decisão deverá ser anunciada até ao final da semana

Vargas Llosa convidado para a presidência do Instituto Cervantes

19.01.2012 - 16:34 Por Cláudia Carvalho

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Vargas LLosa, actualmente a viver em Nova Iorque, terá pedido uns dias para pensar Vargas LLosa, actualmente a viver em Nova Iorque, terá pedido uns dias para pensar (Reuters)
O governo espanhol convidou o escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura, para a presidência do Instituto Cervantes, avança a imprensa espanhola. O escritor ainda não terá aceite a proposta.

Há uns dias, o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García-Margallo, disse já ter decidido sobre quem iria propor ao Conselho de Ministros para substituir a actual directora Cármen Caffarel, recusando-se, no entanto, a revelar o nome. Mas na quarta-feira, a agência Efe, citando fontes anónimas do Governo, chegou ao nome de Mario Vargas Llosa. Cármen Caffarel foi nomeada para o cargo em 2007 pelo governo socialista de Zapatero.

Segundo o El País, o escritor, que tem nacionalidade espanhol desde 1993, foi convidado no domingo e terá pedido uns dias para pensar. A proposta de um presidente para o Instituto Cervantes, congénere espanhol do Instituto Camões, tem de ser decidia em conjunto pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Educação, Cultura e Desporto, sendo depois aprovado ou não pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

A decisão, que deverá ser conhecida até ao final desta semana, terá agradado ao governo, que se mostrou “altamente satisfeito”, como destacou ao ABC, José Ignacio Wert, ministro da Educação, Cultura e Desporto.

“Ele tem tudo o que é preciso”, disse na quarta-feira à noite García-Margallo aos jornalistas, numa cerimónia na embaixada de Israel em Madrid. “Se Mario Vargas Llosa aceitar a proposta, será um sucesso para toda a gente em Espanha e na América Latina”, continuou, sem querer adiantar mais pormenores.

Apesar de esta notícia ter sido, em geral, recebida com agrado na área, a escolha do governo tem sido também alvo de críticas dos partidos opositores, que alegam que o presidente do Instituto Cervantes deverá ser um intelectual independente, lembrando o percurso militante de Vargas Llosa, que é também conhecido pelas posições políticas que assumiu, em especial na revolução cubana, tendo mesmo deixado Espanha e vivido em Havana.Mas em 1971 Llosa vira costas à revolução e aos movimentos de extrema-esquerda, justificando-o com a oposição à existência de um “líder máximo”. E regressa de novo a Espanha.

O Instituto Cervantes, criado em 1991, é a principal instituição de promoção, ensino e difusão da cultura e língua e espanhola no mundo, com 77 centros nos cinco continentes, que promovem habitualmente várias actividades, como exposições, teatro, espectáculos e ciclos de cinema.

Vargas Llosa, 75 anos, já faz parte do patronato da instituição, cuja presidência de honra é ocupada pelo rei Juan Carlos I. O escritor, que nasceu em Arequipa, no sul do Peru, a 28 de Março de 1936, ganhou notoriedade em 1966 com o lançamento de “A casa verde”. Em 1986 foi distinguido em 1986 com o Prémio Príncipe das Astúrias e no ano seguinte venceu o Prémio Cervantes. Em 2010 foi agraciado com o Prémio Nobel da Literatura.

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