Festival de Veneza

Um assassínio doce, por Todd Solondz

06.09.2011 - 09:13 Por Vasco Câmara, em Veneza

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"É o meu filho doce", reconhece Solondz "É o meu filho doce", reconhece Solondz (DR)
Sem pedofilia, sem masturbação, sem violação. Mas em tudo o resto um filme de Todd Solondz. Destruindo, com doçura, a comédia americana que celebra o "macho criança".

"Dark Horse": é o cavalo que corre de fora, o outsider que pode vencer. E que provavelmente não vencerá.

Abe (Jordan Gelber) é um dark horse, isso os pais (Mia Farrow e Christopher Walken) já o sabem, mesmo se na banda sonora da sua vida os refrões incentivam: "Reach out for more". Homem feito, continua agarrado ao cubo mágico e às colecções de infância. Sinal de que foi a infância que o coleccionou. Miranda (Selma Blair) está agarrada aos antidepressivos. Chegará o dia em que vai decidir desistir da esperança e do amor-próprio (e da carreira literária) e aceitar a proposta de Abe: casamento e filhos. Olhemos para a máscara de apatia de Miranda e para o incompreensível optimismo de Abe: podiam ser mais Todd Solondz? Não.

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