Uma estrutura em forma de nave espacial no meio do estádio para 90 mil pessoas em delírio, numa noite abrasadora. Os U2 iniciaram, ontem, no Camp Nou, em Barcelona, a 360º Tour”, dedicando “Angel of Harlem” a Michael Jackson e falando, via satélite, em directo, para a Estação Espacial Internacional.
Começaram poderosos com “Breathe”, passaram a “No line on the horizon” e puseram toda a gente em delírio com as guitarras estridentes de “Get on your Boots e “Magnificent”, todas do último álbum “No Line On The Horizon”. Foi assim, às 22h espanholas de ontem, que os U2 iniciaram, no estádio Camp Nou de Barcelona, a nova “360º Tour”. No início não houve os sucessos de sempre, mas sim as novas canções, como se o grupo quisesse reafirmar o seu papel na arena da música de hoje. As 90 mil pessoas – que esgotaram a lotação em 50 minutos quando os bilhetes foram postos à venda há semanas – receberam o grupo irlandês em festa, numa noite de calor sufocante.
Um dos momentos altos foi “Angel of Harlem”, que o grupo compôs a pensar em Billie Holiday, mas que ontem teve outro destinatário: Michael Jackson, “alguém com muito talento”, disse Bono, ao mesmo tempo que cantava um fragmento de “Don’t stop till get enought”. Outro dos aspectos mais marcantes do concerto foi a conversa, via satélite, em directo, com os tripulantes de uma estação orbital, com Bono a fazer-lhes perguntas sobre a sua visão singular do planeta terra.
O que remete para o palco utilizado. O concerto de ontem foi dominado pela ideia de futuro. Esqueçam os palcos à italiana para concertos rock. Os U2 resolveram experimentar, colocando o cenário literalmente no meio do estádio. O resultado é, ao mesmo tempo, simples, espectacular e de grande eficácia, com 90 mil pessoas a terem a mesma visibilidade do palco, seja em que zona do estádio estejam situados. Para uns, a estrutura gigante, com quatro patas, passadeira circular, duas metalizadas pontes que giram e ecrã gigante em rotação na parte de cima, mais parece uma nave espacial. Para outros – uma ideia fomentada pelos próprios U2 ontem à noite – é uma estrutura inspirada na arquitectura de Gaudi. É a ideia de futuro dos U2.
Seja o que for, funciona, aproximando o grupo ainda mais da assistência que os rodeia. Se a primeira parte do concerto foi marcada pelos temas de “No Line On The Horizon”, a segunda teve imensos sucessos como “Vertigo”, “Sunday bloody Sunday”, “Pride (in the name of love)” ou o inevitável “Where the streets have no name”, que levaram a multidão ao delírio.
Misto de canções rock, umas vezes musculadas, outras mais tranquilas (como “One”), discursos de visão humanista e espectacularidade cénica, o novo espectáculo dos U2 segue as linhas programáticas das últimas digressões. Mas desta feita, o efeito majestoso é ainda maior. Nitidamente, os irlandeses não querem ficar cunhados como banda de dinossauros e tenta reinventar-se. A maior parte das canções já não possui o travo da novidade. É natural. Mas a combinação de poder sónico, palavras certeiras e impacto cenográfico, continua a fazer deles, provavelmente, a melhor banda de estádio da última década.
Não é apenas por isso que se mede o seu impacto, mas a reacção efusiva do público parecia querer demonstrá-lo. Ontem, a maior parte eram, naturalmente, espanhóis. Mas para o concerto inaugural da digressão veio gente de todo o lado e um batalhão de jornalistas de todo o mundo. Nas 32 datas já marcadas da presente digressão participarão 3 milhões de pessoas. Portugal terá que esperar até ao próximo ano para ver passar a “360º Tour”. Isto, claro, se as datas que forem adicionadas às presentes contemplarem Lisboa, como se tem especulado.
Alinhamento
"Breathe"
"No line on the horizon"
"Get on your Boots"
"Magnificent"
"Beautiful day"
"I still haven't found what i’m looking for"
"Angel of Harlem"
"In a little while"
"Unknown caller"
"Unforgettable fire"
"City of blinding lights"
"Vertigo"
"I'll go crazy remix"
"Sunday bloody sunday"
"Pride (in the name of love)"
"MLK"
"Walk on"
"Where the streets have no name"
"One"
"Ultraviolet"
"With or without you"
"Moment of surrender"



