Turistas de toda a Europa chegam ao Algarve para mergulharem no roteiro subaquático da região e descobrirem achados históricos ao largo de Faro ou da Ria Formosa, uma actividade turística com cada vez mais adeptos.
Um navio do século XVII e um avião da II Guerra Mundial, ambos afundados ao largo de Faro, são os dois achados históricos mais emblemáticos do roteiro subaquático de Faro e que são visitados tanto por mergulhadores portugueses, como por turistas mergulhadores alemães, espanhóis, franceses ou ingleses.
Em declarações à Agência Lusa, José Vieira, um dos responsáveis pela "Hidroespaço", empresa que desenvolve o turismo subaquático na região algarvia, adiantou que a actividade tem um enorme "potencial turístico" e que pode mesmo ser considerada uma alternativa ao turismo tradicional do sol e praia.
"É completamente viável, muita gente nos procura e depois quer voltar".
José Vieira explicou que à Hidroespaço chegam clientes de toda a Europa interessados em mergulhar nas águas algarvias, mas que são os portugueses quem mais procuram os roteiros subaquáticos da região.
"Temos clientes de Espanha, Inglaterra, Alemanha e França, mas são principalmente os portugueses quem nos contacta mais para mergulhar".
Para além do navio do século XVII, denominado por "Faro A" e que se encontra ao largo da Praia de Faro a cerca de 20 metros de profundidade e onde se podem apreciar vestígios da carga e vários canhões dispersos, a empresa algarvia oferece outros roteiros subaquáticos.
A visita debaixo de água aos destroços de um bombardeiro B-24 Liberator, da II Guerra Mundial, ou a um rochedo histórico de grandes dimensões localizado também ao largo da capital algarvia fazem parte do rol de achados subaquáticos visitáveis.
Turismo do Algarve reforça promoção
José Vieira acredita que a procura só não é maior por falta de divulgação do Algarve como uma região de turismo subaquático.
A divulgação, segundo o empresário, é da competência do Turismo do Algarve, que segundo José Vieira não tem dado a importância devida ao turismo subaquático na região.
No entanto, o presidente do Turismo do Algarve, António Pina, anunciou que vai reforçar a promoção deste tipo de turismo no estrangeiro e em Portugal, por ser um nicho de mercado emergente mas que não tem tido a visibilidade necessária para crescer.
Em declarações à Agência Lusa, António Pina admitiu que a promoção do turismo subaquático na região não tem tido a visibilidade pretendida, mas que será reforçada.
Segundo o responsável pelo Turismo no Algarve, a promoção passará, inicialmente, pelo estudo de viabilidade e, posteriormente, será feito um convite às empresas e jornalistas especializados para desenvolverem uma melhor divulgação do turismo subaquático.
António Pina frisa que não serão entregues subsídios a nenhuma das empresas do sector.
O processo deverá acontecer com a articulação entre o Turismo do Algarve e as empresas que já vendem o produto na região. O presidente do Turismo do Algarve explicou que o turismo subaquático se encontra dentro de um pacote de divulgação de "turismo náutico, um mercado que irá ver reforçada a sua promoção".
Numa altura em que o turismo algarvio enfrenta uma crise de procura, a oferta de novos produtos é encarada como uma das soluções a seguir e o turismo subaquático é uma das alternativas estudadas.
Os roteiros turísticos subaquáticos no Algarve surgiram em 2004, na sequência de um protocolo celebrado entre o Instituto Português de Arqueologia e a empresa algarvia Hidroespaço e que permite visitar os "spots" (locais dos achados) de forma legal.
Um mergulho pode variar entre os 30 e os 50 euros, consoante o material pretendido pelo cliente.


