Andy Cabic e um musico que atravessa discretamente o seu tempo. Não exibe marcas daquilo que define esteticamente a actualidade, nao procura firmar a data de nascimento das canções na sua musica. Os seus Vetiver sobrevoam estes tempos como se nãoo lhes pertencessem - e fazem-no tão gentilmente, com uma delicadeza tao apurada, que não há tantos quantos deveriam a reparar no diamante que são.
Depois do magnífico "Things Of The Past", álbum de versões que foi um dos melhores de 2008, chega "Tight Knit", álbum de originais que, como sempre ancorado na música dos cantautores californianos da década de 1960 e 1970 (o impulso inspirador é esse, as canções, naturalmente, são outra coisa), deixa-nos uma certeza: Andy Cabic consegue a proeza de, movendo-se num universo específico e plenamente definido, encontrar forma de o prolongar em discreta expansão. Este folk-rock de guitarra acústica e voz serena, suave brisa primaveril, é o que lhe conhecemos desde sempre, mas o encantamento não se desvanece. Mais: aponta pontos de fuga que não o são verdadeiramente. Ouvem-se discretíssimas apropriações: "Sister" ameaça balanço baiano, casamento perfeito com a dolência dos Vetiver. E ouve-se a música expandir-se organicamente na segunda metade do álbum, quando tudo se encorpa e divaga: ouvem-se as guitarras espiraladas que os Byrds ofereceram à Humanidade, ouvem-se canções iluminadas pelo negrume a preto e branco do Neil Young de “After the Gold Rush”, ouve-se pop dançarina em "More of this" e metais e Rhodes em "Another reason to go", dando corpo a uma soul mais dada à introspecção que ao exorcismo. "Tight Knit" é previsível no melhor dos sentidos. Mais um belíssimo álbum de Vetiver.


