• |
  • Iphone
  • |
  • Mobile
  • |
  • RSS
  • |
  • Twitter
  • |
  • Facebook
  • Siga-nos em:

Wise In Time

The Ballad of Den the Men

01.06.2006 - 12:41 Por Vítor Belanciano, PÚBLICO, Crammed, distri. Megamúsica

Continua a pisar terrenos singulares Ian Simmonds. Ao longo dos anos o músico gaulês foi conotado com idiomas emergentes, mas manteve sempre uma atitude ambígua em relação a essas movimentações. Na alvorada dos anos 90, quando a corrente acid-jazz vingava em Londres, formou os Sandals, projecto inclassificável que se inspirava em diferentes linguagens (dub, house, rock, jazz) consumando uma esquiva sonoridade dançante.
 ()

Entre 1997 e 2002, quando os Kruder & Dorfmeister, Rockers Hi-Fi ou Fila Brazillia instituíam uma expressão elegante inspirada em processos tecnológicos, Ian Simmonds, em nome próprio, ou como Juryman, desenvolveu ao longo de cinco álbuns uma música jazzistica orgânica e vertiginosa. Regressa agora com um registo diferente do que até aqui havia feito, embora os ambientes nebulosos de álbuns como "Last States of Nature" ou "The Hill" se mantenham. Quatro anos depois do último lançamento (álbum "Escape To Where", de Juryman) não está só. Assume, pela primeira vez, a vocalização de todas das canções e retorna com um novo projecto colectivo, Wise In Time, rodeando-se de quatro músicos de jazz alemães, que conheceu na pequena localidade de Jena, perto de Dresden, para onde se mudou com para criar este disco. "The Ballad of Den the Men" é, como os seus anteriores registos, um daqueles discos que parece sorver o ar dos tempos e, no entanto, completamente ausente de qualquer pressão temporal, habitando um universo próprio – um lugar de silhuetas, habitado por ondas de escuro, onde a música parece tactear, vacilando pelas artérias sombrias que escolheu percorrer. Apesar da profundidade de campo é um disco claustrofóbico, onde todas as canções fazem sentido ouvidas em conjunto. Não há passado, nem presente, nem futuro, apenas uma música assombrada, composta por sinais, tonalidades e vozes que vão e vêm sem deixarem pegadas reconhecíveis. A voz inimitável de Simmonds parece segredar-nos ao ouvido, as dinâmicas acústicas evocam os blues, as guitarras folk introduzem-se vagarosamente nas tonalidades jazzísticas, flutuando no espaço. Há impressões quase imperceptíveis de electrónicas, ruídos da natureza confundidos com pianos eléctricos e orquestrações que contribuem para uma apurada definição dos ambientes. No fim permanece, constante, um desenho global solene e nocturno, numa música colectiva, dirigida pela demão estética de Simmonds, onde o jazz, os blues, a folk e as electrónicas se fragmentam, voltam a agregar-se, formando um corpo só, elevando-se na escuridão. Magnífico.

  • 0 leitores
  • 0 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1259061

Comentário + votado

Login