"Et voilá", eis que ele retorna: o (já) ancião do pós-modernismo e das colagens improváveis que dá pelo nome de guerra Beck, regressa aos discos de originais, apenas um ano depois de "Guero", com "The information" – o seu nono álbum.
Da estreia com "Mellow Gold" (1994) – oblíqua nebulosa avant-garde de folk desafinada e hip-hop sujo – até "Midnite vultures" (1999), o rapaz pareceu sempre estar dois passos à frente, indo pilhar (e subverter) momentos da história (do funk viscoso à bossa tresmalhada) que estavam mais ou menos esquecidos.
Com "Sea change", que para todos os efeitos era muito bonito, começava a pairar a dúvida: e se Beck tivesse crescido? E se Beck estivesse a ficar adulto? E se o mundo em que Beck era novidade fosse hoje radicalmente diferente e as colagens pós-modernas fossem a ordem do dia?
"The information" sai a 9 de Outubro, e diz-se que é liricamente amargo (ele canta: "I carry my heart like a soldier with a hand grenade"), que sonicamente ele tanto rouba ao mestre da country Gram Parsons como a um tal Beck, circa "Odelay" (1996).
Os fanáticos (que obviamente já piratearam o disco) dividem-se entre o entusiasmo, a aceitação distanciada e a desilusão. Terá Beck envelhecido?


