As imagens podem ser desconcertantes – e, eventualmente, desagradáveis. Mas é, sem dúvida, um acontecimento que oito desenhos de William Blake (1757–1827), o excêntrico poeta e pintor do Romantismo, possam ser vistos desde esta semana e até Dezembro na Tate Britain, em Londres, integrados numa exposição sobre os românticos.
Os pequenos desenhos, cada um dos quais acompanhado por uma frase poética, mostram por exemplo um homem nu a gritar enquanto é devorado pelo fogo ou outro a lavar o cabelo em sangue. “São estranhos”, reconhece a curadora Philippa Simpson, citada pelo "The Guardian". “São impenetráveis até para os estudiosos”.
Os desenhos têm uma história envolta em mistério. Surgiram pela primeira vez em obras ilustradas por Blake: seis deles em "The First Book of Urizen" (1794), o sétimo no poema mitológico "The Book of Thel" (1789) e o oitavo na prosa revolucionária "The Marriage of Heaven and Hell" (1790-93).
Depois da morte de Blake, o conjunto dos desenhos foi oferecido pela sua viúva, Catherine, ao artista Frederick Taham, e desde então não se soube mais nada deles. Até que, nos anos 1970, alguém comprou em Londres uma caixa com livros em segunda mão e descobriu-os entre as páginas de um velho livro com horários de comboios internacionais. Durante muito tempo pensou-se que se tratava de cópias, e só em 2007, ao fim de anos de estudo, é que os peritos declararam que eram os originais. No início deste ano, a Tate comprou-os por cerca de 535 mil euros.
Alison Smith, curadora da Tate para a arte britânica até 1900 dizia em Janeiro ao "Times": “[Os desenhos] são do melhor que Blake produziu. São pequenos mas são tão expressivos e poderosos que nos sugam para este mundo atormentado.”
Enquanto era vivo Blake foi considerado um excêntrico e um louco e o seu talento não foi reconhecido. “Um eterno problema com Blake”, explica Simpson ao "Guardian" “é que tendemos a isolá-lo porque ele não pertence a nenhum sistema ou movimento, por isso não olhamos para ele num contexto mais alargado. É visto como uma anomalia. Por isso, o que espero com esta exposição é criar relações entre ele e outros artistas e mostrar que ele não existe num vácuo, por muito estranhas que sejam as suas imagens.”
Notícia corrigida às 17h08



