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Scissor Sisters

Ta-Dah

21.09.2006 - 13:56 Por Vítor Belanciano, PÚBLICO, Polydor, distri. Universal

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O título do álbum dos Scissor Sisters é uma alusão à volta da exclamação "Ta-Dah", que remete para a ideia de criação de expectativa. Trata-se, realmente, de um disco muito aguardado, sucedendo a uma estreia de sucesso. Mas desiludam-se os que imaginam que o grupo provocou grandes alterações na génese da sua música. É o característico disco de continuidade.

Era inevitável que a espontaneidade contida em algumas canções do primeiro álbum estivesse mais diluída. E que a maneira, saudavelmente sem compostura, como combinavam elementos que o bom gosto instituído havia excluído, já não tenha a mesma capacidade de surpreender. Ao segundo álbum, e depois de alguns milhões de discos vendidos, a música dos Scissor Sisters está mais auto-consciente. Menos devassa. Mais domesticada. As canções voltam a ser uma síntese de três décadas de pop, com alusões a Elton John, Prince, Bee Gees, Paul McCartney, Giorgio Moroder, Frankie Goes To Hollywood, Pet Shop Boys ou David Bowie, marcadas pelo falsete de Jake Shears, pelas mediações vocais de Matronic, pelos ritmos "disco", pelas melodias adocicadas e pelas guitarras rock sintetizadas. Como no primeiro registo, as canções têm um acabamento exuberante, num espectro que tanto contempla temas físicos como baladas. A maior parte das faixas possui uma estrutura mais próxima dos padrões convencionais da pop, notando-se menor vontade de integrar digressões dançantes hedonistas. Mas isso não significa que os Scissor Sisters estejam paralisados pela responsabilidade do "difícil segundo álbum". Continuam na mesma. O nosso olhar sobre eles é que se modificou: deixaram de ser uns tipos excêntricos que escreviam sobre noitadas e "dragqueens", reflectindo a Nova Iorque mais boémia e libertina, para se transformarem numa banda de apelo global.

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