Os fatos são agora diferentes, castanho-terra em vez de azul-espaço, mas as mudanças na música dos Blasted Mechanism não são tão notórias quanto no indumentária. Continuam a fazer a pregação messiânica da alvorada de um novo mundo globalizado – todas as culturas e todos os tempos unidos numa banda-fantasia –, continuam a ter música que é ritual xamânico para a geração rave.
As percussões, incessantes, são ritmo magrebino e ritmo da outra África, mais a sul. O ritmo tanto é marcado pela dolente luxúria do dub quando, metais ao alto – cortesia da Kumpania Algazarra –, se tornam fanfarra dos Balcãs-Balcãs e dos Balcãs que aprendemos nos filmes de Kusturica. Sobre tudo isto, apontam às estrelas com a cítara eléctrica e os psicadelismos da produção, apontam ao hedonismo citadino na electrónica que tempera toda a música – e transformam-se numa espécie de tribalismo futurista. Ora, tudo isto parece muito diversificado – e sê-lo-ia se não tivéssemos a sensação de já o termos ouvido pelos mesmos Blasted Mechanism. A Kumpania Algazarra ajuda a fazer de "Battle of tribes" uma das melhores coisas que já lhes ouvimos – é um óptimo festim –, António Chaínho empresta a sua guitarra a "We" – mas passa por nós discretamente –, e o espanhol Macaco é convocada para dar "flow" hispânico a "Sunshine" – canção solarenga ("good vibes" como dirá a nova geração fascinada por reggae), com Rao Kyao a soprar na flauta para aumentar a placidez do momento. Há vários convidados em "Sound In Light", mas não serão eles a alterar a genética dos Blasted Mechanism. Aprecie-se-lhes então a personalidade, com um senão: novos fatos, a mesma música. No planeta Blasted Mechanism, prossegue a festa e todos continuam à espera da anunciada revolução.


