Segunda edição

Serralves começa hoje maratona cultural de 40 horas

04.06.2005 - 10:43 Por Adelino Gomes, João Pedro Barros/PÚBLICO

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Há música, dança, surpresas e muito mais, para todas as idades Há música, dança, surpresas e muito mais, para todas as idades (Paulo Pimenta/PÚBLICO)
Mais de 40 horas seguidas de música, teatro, dança, cinema, debates, passeios e actividades para jovens: é assim que vai ser a segunda edição do Serralves em Festa!, que abre hoje as portas da fundação às 8 da manhã para só as fechar à meia-noite de domingo.

O evento é de acesso gratuito e tem as famílias como público-alvo. "Queremos mostrar que a arte não é uma coisa elitista, mas sim transversal e acessível a todas as famílias", diz António Gomes de Pinho, presidente da Fundação de Serralves.

A festa do ano passado atraiu mais de 40 mil pessoas. Este ano a programação é alargada, com mais dez eventos do que a edição de 2004. A organização é assegurada por cerca de 550 pessoas. De acordo com Gomes de Pinho, o Serralves em Festa! acontece pela "necessidade de promover iniciativas que ultrapassem as barreiras" da instituição, procurando "dar ideia da multiplicidade de criações culturais" que acontecem no espaço, "em escala reduzida", durante o ano. "Não conheço nenhum museu no mundo que conheça este tipo de iniciativas", diz o presidente da instituição.

A captação de novos públicos é outro dos objectivos. "Apanhamos franjas que habitualmente não têm contacto com o museu", diz Odete Patrício, directora-geral da fundação.

Os três palcos

A festa terá três palcos principais: prado, court de ténis e auditório do museu. O início, hoje, às 8h, dá-se com uma visita guiada ao parque de Serralves. Mas há também uma ponte entre a fundação e instituições parceiras em Portugal. Os exemplos de colaborações são variados: Ubuzada, adaptação da peça Ubu(s), já encenada por Ricardo Pais no Teatro Nacional de São João; Shirtology, coreografia de Jerôme Bel trazida ao Porto pelo Centro Cultural de Belém de Lisboa; ou Le Marteau sans Maître, cantata de Pierre Boulez, apresentada no Teatro Nacional de São Carlos. "A iniciativa mobiliza muitas das instituições culturais mais relevantes da cidade e do país. É um bom exemplo de trabalho em rede", diz Gomes de Pinho.

A programação junta vários géneros e registos. "Estamos conscientes da necessidade de atrair todos os públicos, dos mais aos menos especializados. Todos podem encontrar-se neste espaço", acentua João Fernandes, director do Museu de Serralves. No entanto, de acordo com o responsável, a "diversidade não compromete a identidade". "Essa dimensão foi conseguida sem colidir com a qualidade", conclui. Fernandes dá o exemplo da programação musical, que segue o "perfil de público" de Serralves.

Craig Armstrong (que vai juntar a sua electrónica aos sons experimentais da cyber-poeta alemã AGF e ao tecno ambiental de Vladislav Delay) é o nome mais forte. O "novo folk" de Matt Valentine e o hip-hop instrumental dos Bulllet são outras das propostas. A Orquestra Nacional do Porto também vai actuar, mas com um repertório de música do século XX.

O Serralves em Festa! é suportado em grande parte por mecenas, com uma contribuição menor da fundação. Mas o evento "não é um custo acrescido, é um investimento", diz o director do museu.

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