Concurso "Aqui há selo 2008"

Selos com moléculas nas cartas do próximo ano

07.07.2008 - 17:52 Por Nicolau Ferreira

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Em 2009 os Correios vão por em circulação um selo com a ilustração de uma molécula Em 2009 os Correios vão por em circulação um selo com a ilustração de uma molécula (CTT/Nuno Micaêlo)
Os CTT reservam-nos para 2009 um selo com a ilustração de uma molécula. Apesar do desenho parecer indecifrável, Nuno Micaêlo, o autor da criação e vencedor do concurso “Aqui Há Selo 2008”, teve razões de sobra para escolher a enzima CotA-lacase para promover à ciência portuguesa.

“Os selos são um meio privilegiado de difusão cultural devido à sua função pública e de temporalidade”, explicou o investigador ao PÚBLICO, numa entrevista feita por correio electrónico.

Quando soube que os CTT abriram um concurso para ser autor de um selo posto à venda em 2009, lançou-se no projecto. Na semana passada ficou a saber que era o vencedor.

O investigador está a fazer um pós-doutoramento em Aveiro, na Universidade onde tirou a licenciatura em Biologia. Trabalha na área da modelação molecular, onde estuda com a ajuda do computador a forma e a actuação das moléculas.

A CotA apareceu porque o grupo de investigação que veio integrar trabalha com a enzima. A CotA é produzida originalmente pela bactéria Bacillus subtilis, mas pode vir a ter várias aplicações.

“Esta enzima é capaz de degradar compostos chamados fenólicos que são altamente poluentes”, explica. A indústria de papel e do têxtil costumam produzir estes compostos.

Mas o potencial vai para além da bioremediação, ou decomposição de compostos resultantes dos processos industriais. A enzima pode ser aplicada na produção de biopolímeros, no tratamento de sumos de fruta, como bio-sensores e na produção de compostos a partir de uma fibra vegetal chamada lenhina, que podem vir a ter um valor elevado.

No selo vê-se várias bolas que representam átomos. Consoante a cor, temos átomos diferentes. O central, cor-de-laranja é um átomo de cobre e é este que permite à enzima funcionar.

O desenho da molécula foi feito digitalmente. O investigador tem tido contacto com a arte. Expôs obras no Centro Cultural de Belém e trabalha com o teatro Seiva Trupe do Porto, como consultor científico.

“Na ciência, o processo criativo está balizado pelos limites do conhecimento, pelas leis do mundo físico que conhecemos”, explica.

Para este cientista fazer arte é diferente. “Na arte a criatividade parece ser um processo mais emocional, tolerante ao erro e que não precisa de validação pelos seus pares.”

Em 2009, a CotA vai andar pelo país e pode entrar em nossa casa pela caixa do correio. Quem a receber, tem oportunidade de ver a ciência ser transformada em arte.

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Biologia molécular; Fisiologia celular

Sr anónimo do Porto: Está tão desactualizado relativamente ao "seu tempo" que não conhece a ...

José Santos

09.07.2008 15:58