Saramago deixa inéditas “20 ou 30 páginas” do que seria um romance sobre a guerra

18.06.2010 - 23:06 Por Alexandra Lucas Coelho
O editor Zeferino Coelho leu “20 ou 30 páginas” que José Saramago deixou inéditas, do que seria o seu próximo romance. “Existe um livro, que ele estava a escrever e não terminou, nem chegou a dar-lhe título”, disse o responsável da Caminho ao PÚBLICO, hoje à noite.
“Admito que existam mais algumas páginas, mas não muito mais.” Não se trata, pois, de um inédito a publicar como livro autónomo. “Pilar del Rio pensará o que fazer com ele, entre outros textos que tenha para lá. É uma decisão que estará sujeita ao critério dela.”
De que tratavam as páginas que Zeferino teve oportunidade de ler? “Era um romance sobre a violência da guerra, de todas as guerras. Das conversas que tivemos, creio que ele pretendia abordar a responsabilidade de todos perante este fenómeno brutal.” Saramago terá começado a escrever o livro no começo do ano, sempre ao computador. “Achei uma coisa muito depurada, e disse-lhe isso, que era do melhor Saramago. O que li era uma espécie de introdução em que começam a sair as personagens. Pareceu-me que seria um romance como o ‘Ensaio Sobre a Cegueira’ ou o ‘Ensaio Sobre a Lucidez’.
Zeferino Coelho é o editor em Portugal de Saramago desde 1979, quando publicou a peça de teatro “A Noite”, uma relação que ao longo das décadas se transformou numa sólida amizade.
Sabe-se que na “arca” de Saramago há outros textos de uma fase muito anterior nunca publicados, nomeadamente “Clarabóia”, o livro que sucedeu ao seu livro de estreia de 1947, “Terras do Pecado”. O título original de “Terras do Pecado” era “Viúva” e foi alterado por imposição do editor da altura, a Minerva. Saramago desvaloriza este livro, que nunca incluiu na sua bibliografia, indicando como um dos motivos para essa exclusão a mudança forçada do título. “Clarabóia” foi recusado pelo editor.


