A polémica saída do Túnel de Ceuta, no Porto, embargada por se encontrar na zona do protecção do Museu Soares dos Reis, vai manter-se no mesmo sítio, mas com limitação de velocidade, foi hoje anunciado.
O projecto "reformulado" da saída do túnel para a Rua D. Manuel II, já aprovado por todas as instâncias, foi apresentado hoje em conferência de imprensa pelas direcções do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar) e da empresa municipal Gestão de Obras Públicas (GOP).
Pinho da Costa, da GOP, referiu que a saída se mantém distante do museu os mesmos 78,3 metros, mas a rampa vai ficar um por cento mais inclinada, o que permite recuar os "muretes" (saliências das paredes do túnel) 5,3 metros.
A nova inclinação vai permitir também deslocar 9,5 metros o ponto de concordância da rampa com a superfície da rua e recuar 5,8 metros o guarda-corpos da frontaria do museu.
No topo da rampa, vão ser colocadas bandas sonoras e um sinal de proibição de circulação acima dos 30 quilómetros por hora. O pavimento da rua vai ser substituído por um lajeado de granito amarelo que obrigará também à redução da velocidade.
A aprovação do projecto encerra uma polémica que começou no início de 2005 com o "chumbo", pelo Ippar, da proposta que a GOP tinha já em execução no terreno sem a necessária aprovação prévia daquele instituto.
O Túnel de Ceuta foi inaugurado em 29 de Julho de 2005 pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, mas apenas com uma saída junto ao Jardim do Carregal, dado a outra, na Rua D. Manuel II, ter sido embargada pelo Ministério da Cultura.
O novo presidente do Ippar, Elísio Summavielle, afirmou que a solução hoje anunciada foi encontrada em apenas um mês e meio de negociações, tendo já merecido a concordância das respectivas tutelas (Ministério da Cultura e Câmara do Porto), pelo que, "obviamente", serão anulados todos os procedimentos judiciais abertos pelas duas partes.
"Começámos em Dezembro. Foram estudadas e analisadas tecnicamente todas as soluções que estavam sobre a mesa", garantiu Elísio Summavielle, escusando-se a comentar a actuação neste processo da anterior direcção do Ippar e dos responsáveis políticos.
Pinho da Costa referiu que as obras do túnel serão retomadas em Março, logo que o Ministério levante o embargo, prevendo-se que fiquem concluídas no "final de Julho".
A directora do museu, Teresa Viana, que assistiu à conferência de imprensa, referiu no final que não foi ouvida neste processo, pelo que perguntou ao Ippar e à GOP que soluções tinham sido equacionadas para os acessos ao edifício.
Depois de esclarecida pela GOP, Teresa Viana referiu que vai ficar a cargo do museu a gestão dos pinos de separação da rua e passeio, que ficará com mais cinco metros de largura, o que garante espaço para estacionamento de autocarros que transportem crianças para o museu.
Teresa Viana disse ainda que vai ser criado um acesso para deficientes na entrada principal do museu. "Está um bocadinho melhor [o projecto]. Da maneira como está é que não podia ser. Isto para nós foi um calvário", afirmou Teresa Viana, referindo-se ao impacto negativo das obras para os utentes do museu.



