A reunião anual do Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo, que decide o plano de actividades do museu para 2012, está marcada para a próxima segunda-feira, depois de ter sido adiada ontem por Joe Berardo.
Joe Berardo alegou uma situação irregular por parte da representação da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), que em vez de Francisco José Viegas, enviou o chefe de gabinete, Rui Pereira, “sem o devido mandato”.
“Estava tudo combinado e o secretário de Estado tinha concordado com tudo e depois não veio e apareceu outra pessoa no seu lugar com uma carta que não foi devidamente feita”, disse ao PÚBLICO o comendador, responsável pelo museu, explicando que a medida é contra os regulamentos dos estatutos. “Eu não sou advogado mas os estatutos têm de ser cumpridos.”
À Lusa, João Villalobos, adjunto para a comunicação da SEC, disse que o adiamento foi arbitrário e ilegal. “O presidente da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea demonstrou um profundo desconhecimento do decreto-lei que estabelece o protocolo para a criação desta Fundação” disse, explicando que para a SEC, Joe Berardo “argumentou erradamente, ignorando de forma abusiva o despacho do secretário de Estado da Cultura que lhe foi exibido e que está em conformidade com o artigo 21.º dos Estatutos da Fundação”.
“Compreendo que digam isso mas eu segui apenas a lei, sou simplesmente o presidente da comissão dos fundadores e sou obrigado a cumprir os estatutos”, acrescentou Berardo, explicando que concordou prontamente no agendamento da reunião para segunda-feira.
Na terça-feira, Joe Berardo explicou à Lusa que além do plano de actividades, existem “várias questões para resolver, entre elas a representação do Estado no conselho de administração, onde várias pessoas colocaram o cargo à disposição desde que mudou o Governo”. Entre elas está António Vitorino, indicou, acrescentando que “vão continuar em funções até serem substituídos” por nomeação da nova tutela da cultura.
Nos últimos meses, a relação entre Joe Berardo e a SEC tem estado sob grande tensão, marcada por constantes trocas de acusações em relação à colecção da Fundação Berardo e aos seus custos.
O acordo entre o Estado e a Fundação Berardo, celebrado em 2006, enquadrou a cedência, pelo coleccionador madeirense e até 2016, de 862 obras de arte moderna e contemporânea, em regime de comodato, para a instalação do Museu Berardo no antigo módulo de exposições do Centro Cultural de Belém.



