Referência cultural elogiada por intelectuais amigos de várias áreas

25.08.2007 - 23:20 Por PUBLICO.PT
O ensaísta e político Vasco Graça Moura considerou Eduardo Prado Coelho “uma das referências culturais mais importantes do nosso país. Não apenas como intelectual cujo pensamento reflectia sobre as grandes questões, mas ainda como alguém que pegava nos eventos do dia-a-dia, por vezes os mais anódinos, e os tomava como motivo de reflexão criativa”.
Prado Coelho “marcou profundamente a cultura portuguesa a partir de meados dos anos 60”, disse ainda num depoimento escrito enviado ao PÚBLICO. “Foi um grande ensaísta e um grande crítico. Interveio em vários projectos decisivos. Foi um extraordinário conselheiro cultural em Paris. Foi também um grande amigo, bem-humorado e capaz de uma enorme alegria de viver,” acrescentou Graça Moura, que também é colaborador de jornais, revistas e de canais de televisão e tem muitas obras traduzidas.
Já o artista plástico Rui Chafes admirava à distância Eduardo Prado Coelho, mesmo quando se encontravam, graças a amigos comuns. “Não nos conhecíamos bem, mas sei que tínhamos uma admiração mútua, graças ao trabalho que cada um fazia”, garantiu o artista plástico ao PÚBLICO.
Eduardo prado Coelho tinha uma “inteligência e lucidez notáveis”, diz ainda Chafes, considerando que o professor, ensaísta e escritor falecido hoje de manhã soube viver o seu tempo, pensando de “forma corajosa” sobre cada detalhe da vida. “As suas crónicas pensavam e faziam pensar.”
Rui Chafes gostou sobretudo de ver Prado Coelho colocar a sua produção literária ao lado da sua escultura. “Ele deu valor à minha faceta de escritor. Falou da minha escrita e da minha escultura sem hierarquias, e isso deixou-me muito contente.”
Artistas ficam “mais órfãos”
A realizadora Teresa Vilaverde considerou por seu lado que o desaparecimento de Eduardo Prado Coelho “é um grande golpe para a cultura e para a arte em Portugal”.
“O país fica infinitamente mais pobre e muitos artistas, nos quais me incluo, mais órfãos. Não aparecerá ninguém para substituir o Eduardo. Como amiga, é uma dor enorme”, afirmou.
O editor Carlos Veiga Ferreira sentiu-se “profundamente chocado e triste pelo desaparecimento” deste “intelectual à moda da renascença ou de enciclopedistas da sua querida França, a quem com maior ou menor grau de profundidade, nenhum ramo do saber era alheio”.
“Recordarei sempre um grande amigo e, neste momento que estou em Paris, recordo aquela que era a sua cidade”, disse Carlos Veiga Ferreira, da editorial Teorema e presidente da União dos Editores Portugueses.

