"Um Tiro no Escuro" (2005), de Leonel Vieira, foi o filme escolhido pelo Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) para o lançamento da fase experimental do projecto Rede Cine Digital, com que o instituto quer testar uma nova forma de promover a difusão da produção do cinema e audiovisual nacional, europeu e ibero-americano, e conquistar novos públicos, principalmente nos locais geograficamente mais desfavorecidos.
O lançamento do projecto vai ser feito hoje à noite (20h00) no Teatro Municipal de Faro - Tavira era a cidade inicialmente prevista, mas o cineteatro local está ocupado com um ciclo de cinema -, com a exibição do filme de Leonel Vieira.
Nesta primeira fase, o programa vai estender-se a três salas do país: auditório do Teatro Acert, em Tondela, em Agosto; Cineteatro de Tavira, em Setembro; e o auditório da Universidade Católica do Porto, em Outubro. A centralização será feita em Lisboa, no Data Center da Fundação para a Ciência e Computação Nacional (FCCN) - com quem o ICAM assinou um protocolo em Janeiro último -, sob a monitorização e o controlo técnico do instituto.
O presidente do ICAM, Elísio de Oliveira, explicou ao PÚBLICO que o tratamento dos filmes a exibir e a sua transferência do suporte película para o digital é feito nos laboratórios da Tóbis, em Lisboa. Daí passam para a FCCN e depois, através da Internet, em banda larga, chegam aos "terminais", às salas que solicitem a sua exibição ao ICAM. No final de cada exibição - que só pode ser feita no local e na data para os quais tenha sido solicitada autorização -, o filme autodestrói-se, evitando-se assim a sua utilização fora dos termos previstos.
Portugal na primeira linha da Europa
A Rede Cine Digital, que é apoiada pelo programa comunitário POS Conhecimento (Programa Operacional Sociedade do Conhecimento), vai constituir-se como um complemento ao Programa de Itinerância Cinematográfica (PIC) que o ICAM tem já em curso nas salas de cinema do país. Vai, assim, abrir a possibilidade de o cinema chegar a locais geograficamente mais desfavorecidos e não servidos pelo normal circuito de distribuição. "É um circuito para pequenas associações, que vai dar ênfase ao documentário, à animação, às curtas-metragens e a produções feitas nas escolas de cinema do país, utilizando as novas tecnologias na distribuição de conteúdos", acrescenta Elísio de Oliveira, notando estar assim o ICAM a "responder aos desafios que as novas tecnologias vêm sucessivamente lançando". Uma das virtudes deste programa é a sua mobilidade, já que as salas que queiram entrar na rede precisam apenas de dotar-se de um servidor local ligado a um projector vocacionado para exibição.
Elísio Oliveira nota que este sistema não vai fazer concorrência aos distribuidores que actuam no país, porque se destina a exibir filmes e produções audiovisuais que não passam no circuito comercial. Por outro lado, os próprios distribuidores poderão, no futuro, usufruir da rede, em termos ainda a definir.
Com o lançamento desta Rede Cine Digital, Portugal, diz o presidente do ICAM, coloca-se "na primeira linha dos países que estão a investir nas novas tecnologias de exibição audiovisual na Europa", ao lado de Holanda, Suécia e Áustria, que iniciaram também já experiências neste domínio.
Até ao final do ano, a rede deverá envolver 25 salas em todo o país. O custo desta primeira fase está orçamentado em cerca de 345 mil euros, 70 por cento dos quais é comparticipado pelo POS Conhecimento.
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