Quase que apetece dizer: “Outra vez ‘O Artista’…” Em temporada pré-Óscares, e depois de uma semana de nomeações para os prémios da Academia, o filme francês que homenageia o cinema mudo e já recebeu três Globos de Ouro é mais uma vez o escolhido. Sábado à noite, em Los Angeles, foi o Sindicato dos Realizadores norte-americano (Directors Guild of America - DGA) que decidiu premiar o francês Michel Hazanavicius, que este ano se estreava na lista de candidatos.
Na corrida a este prémio entre pares, o realizador de “O Artista” deixou para trás concorrentes de peso: Woody Allen (“Meia-noite em Paris”), Martin Scorsese (“Hugo”), David Fincher (“Os Homens Que Odeiam as Mulheres”) e Alexander Payne (“Os Descendentes”).
“Adoro realizadores, respeito-os mesmo”, disse Hazanavicius, citado pelo site de notícias The Huffington Post. “É por isso que este prémio me comove muito”, acrescentou o realizador deste filme a preto-e-branco que, com o seu charme silencioso, dizem os críticos, pode muito bem vir a ser o grande vencedor da noite dos Óscares, a 26 de Fevereiro – “O Artista” está nomeado em dez categorias, incluindo a de Melhor Realizador e Melhor Fotografia.
Segundo a agência France Press, desde 1948 só seis dos premiados pela DGA não receberam o Óscar de Melhor Realizador. E, na maioria das vezes, quem leva para casa a estatueta dourada da realização também leva a de Melhor Filme.
“Talvez tenham notado, mas eu sou francês, tenho sotaque, um nome que é muito difícil de pronunciar”, disse ainda, ao aceitar o prémio, de acordo com o Huffington Post. “Na realidade não sou americano, nem sou francês… Sou um realizador. Sinto que estou a ser aceite por vocês não enquanto americanos, mas enquanto realizadores.”
Hazanavicius, que realizou "Mes Amis", “Agente 117” e "OSS 117: Rio Ne Répond Plus", era praticamente um desconhecido em Hollywood até à chegada de “O Artista”.
Outros vencedores da noite de sábado foram James Marsh, pelo documentário “Project Nim”, Jon Cassar, pela mini-série “The Kennedys”, Patty Jenkins, pelo drama televisivo “The Killing”, e Robert Weide, pelo capítulo “Palestinian Chicken”, da série cómica de TV “Curb Your Enthusiasm”. O prémio de Marsh traduziu-se numa segunda derrota para Scorsese, que competia na categoria de documentário com “George Harrison: Living in the Material World”, filme sobre o Beatle que morreu em 2001.



