José Niza morreu esta sexta-feira de madrugada em Lisboa. O artista estava a trabalhar num livro de memórias.
Paulo de Carvalho, músico
"Foi um dinamizador e produtor fundamental da música portuguesa que permitiu a gravação de nomes como José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Deve-se usar o presente do indicativo para falar do José Niza pois a obra está aí e está viva. José Niza é um homem ligado à cultura e à música; fez música para teatro, esteve ligado à edição discográfica.”
Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura
“José Niza era um homem multifacetado, dotado de uma sensibilidade profunda, que soube colocar as suas capacidades intelectuais ao serviço do outro e da causa pública. Como músico e compositor de intervenção, o seu percurso artístico interliga-se com um dos momentos mais importantes da história recente de Portugal e algumas das suas canções são marcos fundamentais para a nossa memória do século XX e de muitos dos combates contra a ditadura.”
Sociedade Portuguesa de Autores
“Foi longo, profícuo e marcante o percurso como autor de canções, desde Coimbra, ainda nos anos 50 do século passado, até à intensa e determinante actividade como responsável pela produção e reportório da editora Orfeu/Arnaldo Trindade. José Niza ficou ligado à gravação de discos históricos de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, entre muitos outros. José Niza é também uma figura indissociável dos grandes combates pela democracia e pela liberdade, sempre com uma rigorosa posição ética e cívica que os seus amigos e companheiros nunca deixaram de sublinhar. Bateu-se por uma presença mais forte e digna da música portuguesa no espaço televisivo. Nunca deixou de lutar pela aprovação de diplomas que assegurassem a defesa dos direitos dos autores e a protecção dos criadores e intérpretes musicais, tendo também dado um contributo de grande relevo para a aprovação de legislação relacionada com a adopção de benefícios fiscais para os autores e instrumentistas e com a cópia privada."
José Ribeiro e Castro, presidente da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura
“Lembro-o como compositor de tantas canções que, no movimento de renovação da música popular portuguesa, entraram no ouvido dos portugueses e das jovens gerações, nas décadas de 1960 e 1970, nomeadamente no quadro do Festival RTP da Canção, que ganhou várias vezes. O seu nome ficou particularmente imortalizado por ser o compositor da inesquecível ‘E Depois de Adeus’, interpretada por Paulo de Carvalho, a primeira senha do 25 de abril. Além da sua notável criatividade musical, recordo a afabilidade e elegância do seu trato e a persistência paciente nas causas que abraçou e que dinamizou quer na política em geral, quer especificamente na cultura e comunicação social, em particular na defesa dos direitos de autores, artistas e intérpretes. A notícia da morte de José Niza entristece-me muito."
Rui Pato, músico
"É um figura incontornável da música portuguesa, à qual trouxe modernidade. Foi um grande companheiro de fados e guitarradas e um resistente à ditadura. Numa altura em que José Afonso faz em definitivo a ruptura com o nacional-cançonetismo [fins da década de 1960], José Niza representa uma solução de compromisso, compondo para Adriano Correia de Oliveira e outros dos então ‘baladeiros’ e também para os festivais da canção, renovando os cânones musicais."
Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém
"Era um homem que admirava muito, por quem tinha uma grande amizade, um homem fraterno e humilde. Tinha tanto de genial como de humilde. É uma sensação de perda muito grande."
Notícia actualizada às 15h13



