PJ apreendeu nas últimas semanas 27 obras falsificadas

Quadros falsos atribuídos a grandes pintores poderiam render mais de um milhão de euros

07.09.2010 - 08:14 Por José Bento Amaro

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As obras apreendidas estavam em Cascais e Lisboa As obras apreendidas estavam em Cascais e Lisboa (Foto: Paulo Pimenta/arquivo)
Obras apreendidas estavam numa casa de Cascais e em leiloeiras de Lisboa. Eram falsificações de quadros de Picasso, Miró e Chagall.

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu, nas últimas três semanas, numa residência de Cascais e em diversas leiloeiras da região de Lisboa, 27 quadros falsos cuja autoria era atribuída a alguns dos mais célebres pintores mundiais, nomeadamente Picasso, Miró, Matisse, Rubens e Chagall. A operação Traço Fino culminou com a descoberta do maior e mais valioso conjunto de obras falsificadas alguma vez detectadas no país. A PJ admite que os 27 quadros poderiam ser vendidos por "bem mais de um milhão de euros". Para já existe apenas um suspeito referenciado, mas admite-se que, em breve, outros falsificadores e até mesmo compradores deste tipo de quadros possam vir a ser indiciados.

O indivíduo que, de acordo com o inspector coordenador da PJ João Oliveira, terá cometido um crime susceptível de colocar Portugal "na rota clássica das falsificações" tem 55 anos e um passado de burlas junto das classes mais abastadas da zona de Cascais. Sem profissão conhecida e apesar de estar policialmente identificado, ainda não será no imediato que vai para a prisão, uma vez que o crime que lhe é apontado (falsificação) é contemplado numa moldura penal inferior a cinco anos de cadeia. Um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Cascais decretou-lhe, como medida de coacção, a apresentação periódica no posto policial da área da sua residência. Com o decurso das investigações poderá, no entanto, vir também a responder pelo crime de burla qualificada.

Algumas das obras agora confiscadas encontravam-se para venda em leiloeiras, sendo que em alguns casos o preço pedido rondava os 100 mil euros. Na casa do suspeito encontraram-se outros quadros que, num futuro breve, deveriam ser introduzidos nos circuitos comerciais. Ao que tudo indica, estes quadros, tal como uma quantidade ainda não apurada na totalidade e que terá sido transaccionada ainda antes de a PJ intervir, tinham uma "capa legal" forjada onde não faltavam sequer certificados de autenticidade... falsificados. Estes documentos, apreendidos pela PJ, estavam em casa do suspeito.

O autor mais representado no acervo agora apreendido é Picasso, tendo sido encontrados sete quadros cuja autoria lhe era imputada. Um desses quadros, uma pintura onde se cruza a utilização de guaches e a tinta da China, é apontado pela PJ (baseada no parecer de técnicos de arte contactados) como aquele que mais dinheiro poderia render no circuito comercial. Admite-se que os quadros agora apreendidos pudessem ser vendidos, nos diversos leilões, por "bem mais de um milhão de euros".

"É essencial que as pessoas que recentemente adquiriram quadros dos autores em causa contactem a polícia, pois pode dar-se o caso de terem comprado obras de arte falsas", admitiu João Oliveira.

O inspector coordenador alertou ainda para o facto de, nos quadros já apreendidos, terem sido detectadas várias técnicas, sejam elas a imitação pura e directa de obras originais (como é o caso da Andorinha, de Picasso, de 1971) ou a utilização de cores e estilos que possam levar a pensar que determinadas obras só poderiam ser da autoria de determinados pintores. Esta dualidade de falsificações leva, por outro lado, os investigadores a admitirem que outras pessoas estejam implicadas no crime, nomeadamente indivíduos com conhecimentos académicos de arte. A polícia desconfia que o homem identificado, apesar de poder estar directamente relacionado com um determinado tipo de falsificação, não será, no entanto, o único contrafactor do processo.

As obras apreendidas, na sua maioria correspondentes a períodos modernos, não são réplicas dos trabalhos mais conhecidos dos respectivos autores. Este procedimento pode indiciar um modo de defesa dos falsificadores, que assim tentam evitar que os quadros que tentam vender sejam, afinal, alguns dos que se encontram expostos em espaços públicos, nomeadamente museus e galerias.

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Um bom moço, só pode!

No ror de notícias sobre este caso, jamais o nome do falsificador(alegado falsificador, como ...

jorge gaillard nogueira

07.09.2010 16:00

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